Assegurar um automóvel clássico envolve critérios muito diferentes dos aplicados a um carro de uso diário, já que o valor de mercado desses veículos costuma crescer com o tempo e não diminuir. Nesse contexto, colecionadores como Mário Augusto de Castro buscam apólices específicas que reconheçam o valor histórico e sentimental de cada exemplar, muito além da simples tabela de mercado usada para veículos convencionais. Uma apólice mal ajustada pode significar prejuízo substancial em caso de sinistro, já que seguradoras tradicionais tendem a subestimar o valor real de um clássico bem preservado. Por isso, entender as particularidades desse tipo de seguro tornou-se parte essencial do planejamento de qualquer colecionador sério, sobretudo quando o veículo representa uma parcela significativa do patrimônio pessoal.
O mercado brasileiro de seguros para veículos de coleção ainda é considerado pequeno se comparado ao de países como Estados Unidos e Reino Unido, mas vem se expandindo à medida que o colecionismo se profissionaliza no país. Seguradoras especializadas nesse nicho contam com peritos capacitados para avaliar aspectos como raridade, autenticidade mecânica e histórico de manutenção antes de definir o valor segurado, o que exige um processo de contratação mais detalhado do que o de uma apólice convencional. Essa especialização também se reflete no atendimento pós-sinistro, com oficinas credenciadas capazes de trabalhar com peças originais e técnicas de restauração compatíveis com o padrão histórico de cada veículo.
Como funciona o chamado valor de mercado “agreed value”?
Diferente do seguro tradicional, que paga o valor de mercado do veículo no momento do sinistro, muitas apólices para clássicos utilizam o modelo agreed value, no qual segurado e seguradora definem previamente o valor do carro. No universo desses seguros especializados, onde colecionadores costumam ser exigentes, essa modalidade evita disputas no momento da indenização, já que o valor já foi acordado com base em laudos técnicos e comparativos de mercado.
Para chegar a esse valor acordado, a seguradora costuma exigir documentação completa do veículo, incluindo fotos detalhadas, laudo de vistoria e, em muitos casos, avaliação de um perito especializado em automóveis antigos. Mário Augusto de Castro explica que esse processo, embora mais burocrático do que a contratação de um seguro comum, é o que garante segurança financeira real ao colecionador em caso de perda total ou furto.
As exigências específicas das apólices para veículos de coleção
Grande parte das apólices voltadas a clássicos impõe restrições de uso que não existem em seguros convencionais, como limite anual de quilometragem rodada e exigência de armazenamento em garagem fechada fora dos horários de uso. Entre colecionadores, como Mário Augusto de Castro, recomenda-se atenção redobrada a cláusulas sobre sinistros, já que o descumprimento pode ser motivo de recusa de cobertura no momento em que ela é mais necessária.

Outra exigência frequente é a comprovação de que o veículo é utilizado apenas para exposições, passeios e encontros específicos, e não como meio de transporte cotidiano. Seguradoras justificam essa restrição pelo fato de que o uso reduzido diminui significativamente o risco de acidentes, o que também costuma resultar em prêmios mais competitivos para o segurado. Descumprir essas condições sem avisar a seguradora, mesmo que pareça um detalhe menor, é um dos motivos mais comuns de recusa de indenização em casos de sinistro envolvendo veículos de coleção.
Os desafios de segurar um clássico raro ou importado
Veículos raros ou importados apresentam desafios adicionais na hora de contratar um seguro, já que muitas seguradoras não possuem parâmetros de referência para modelos pouco comuns no mercado nacional. Para colecionadores como Mário Augusto de Castro, encontrar uma seguradora disposta a segurar um exemplar de baixa circulação exige pesquisa e, muitas vezes, negociação direta com corretores especializados em bens de alto valor.
Esse tipo de negociação costuma envolver a apresentação de laudos internacionais, histórico de leilões de modelos semelhantes e até parecer técnico de especialistas reconhecidos no segmento. Embora o processo seja mais trabalhoso, o resultado é uma cobertura muito mais alinhada à realidade financeira e histórica do veículo segurado. Corretores que atuam especificamente com bens de alto valor costumam ter relacionamento direto com um número reduzido de seguradoras dispostas a aceitar esse tipo de risco, o que reforça a importância de contar com assessoria especializada desde o início da negociação.
O crescimento do mercado de seguros especializados no Brasil
O amadurecimento desse mercado deve seguir avançando nos próximos anos, à medida que as seguradoras percebem o potencial financeiro de atender bem um público disposto a pagar por proteção adequada. Experiências acumuladas por entusiastas como Mário Augusto de Castro ajudam a pressionar o setor a desenvolver produtos mais claros e processos de sinistro mais ágeis. Esse amadurecimento beneficia diretamente quem investe tempo, dinheiro e recursos emocionais na preservação de um patrimônio muitas vezes irrecuperável em caso de perda total.
