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Marco Legal da IA ganha nova frente no Congresso, mas votação segue travada

Diego Velázquez
Diego Velázquez 16 de julho de 2026
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6 Min de leitura
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Senado cria colegiado permanente para debater inteligência artificial enquanto projeto que regula o setor não tem data para ser votado na Câmara.

O debate sobre como o Brasil deve regular a inteligência artificial ganhou um novo capítulo neste mês de julho, mesmo sem sinalização concreta de quando o principal projeto sobre o tema será votado. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, oficializou a criação da Frente Parlamentar Mista de Inteligência Artificial, Proteção de Dados e Segurança Digital, um colegiado permanente dedicado a acompanhar políticas públicas e promover debates sobre o tema no Congresso Nacional. A movimentação surge em um momento de indefinição sobre o principal projeto de regulação da tecnologia no país, o PL 2.338/2023, que permanece sem previsão de votação na Câmara dos Deputados, o que tem gerado desconforto entre parlamentares que defendem avanço mais rápido do tema. SINDPD

Para quem acompanha de fora, o cenário pode parecer confuso: afinal, por que o Brasil ainda não tem uma lei específica para inteligência artificial, mesmo com a tecnologia presente em praticamente todos os setores da economia? A resposta passa por uma combinação de complexidade técnica, disputas econômicas entre setores e um calendário legislativo que, em ano de eleições municipais e às vésperas de eleições presidenciais, tende a priorizar pautas com menor risco de desgaste político.

Como chegamos até aqui: a longa tramitação do PL 2.338

O projeto de lei conhecido como Marco Legal da Inteligência Artificial foi aprovado pelo Senado Federal ainda em 2024 e desde então tramita na Câmara dos Deputados, onde segue sob análise de uma comissão especial. A proposta cria um arcabouço regulatório baseado em risco, inspirado em modelos internacionais como o AI Act europeu, mas adaptado à realidade econômica brasileira. Sistemas considerados de risco inaceitável, como aqueles que manipulam comportamento de forma subliminar ou implementam pontuação social de cidadãos, seriam proibidos, enquanto sistemas de alto risco, usados em áreas como saúde, educação e justiça criminal, ficariam sujeitos a exigências reforçadas de documentação, supervisão humana e auditoria.

A expectativa inicial era de que o texto fosse votado ainda no primeiro semestre de 2026. No entanto, o esvaziamento do Congresso Nacional ao longo do ano e a proximidade do recesso parlamentar, previsto para o dia 18 de julho, impediram o avanço da proposta na comissão especial. Some-se a isso um complicador de natureza constitucional: o Poder Executivo identificou vício de iniciativa no texto aprovado pelo Senado, relacionado à atribuição de competências normativas à Autoridade Nacional de Proteção de Dados, o que levou o governo a enviar, em dezembro de 2025, um projeto complementar para corrigir o problema antes da votação final.

O que está em disputa e por que o tema é tão sensível

Por trás da lentidão na tramitação está uma disputa concreta entre parlamentares que defendem regras mais rígidas de proteção de direitos e representantes de grandes empresas de tecnologia, majoritariamente americanas, que veem na regulação um risco de aumento de custo e burocracia para operar no Brasil. O relator do projeto na Câmara já sinalizou que o tema é prioridade, buscando alinhamento com o texto aprovado pelo Senado para evitar que a matéria precise passar por uma nova rodada extensa de negociação entre as duas casas legislativas antes de seguir para sanção presidencial.

Paralelamente ao Marco Legal geral, uma série de projetos mais específicos também tramita no Congresso, tratando de temas como combate a deepfakes, proteção de imagem e direitos autorais, e até mesmo o uso de IA para monitorar agressores em casos de violência doméstica. Esse volume de propostas mostra que, mesmo sem uma lei geral aprovada, o tema já une parlamentares de diferentes campos ideológicos e deve seguir como uma das pautas mais discutidas do Congresso Nacional até as eleições de outubro.

Impacto prático para empresas e cidadãos

Enquanto o Marco Legal não é votado, o mercado brasileiro de tecnologia já se movimenta como se a regulação estivesse próxima de entrar em vigor. Empresas de diferentes setores vêm tratando o projeto como parâmetro de preparação estratégica, usando-o como base para avaliação de risco jurídico e governança de dados, mesmo sem obrigação legal formal. Iniciativas setoriais, como diretrizes do Conselho Nacional de Justiça para uso de IA em tribunais e resoluções do Conselho Federal de Medicina sobre inteligência artificial na área da saúde, mostram que o país já experimenta, na prática, uma regulação fragmentada enquanto aguarda a lei geral.

Para o cidadão comum, a demora na aprovação do Marco Legal significa que, por enquanto, a proteção contra usos abusivos de IA depende principalmente da Lei Geral de Proteção de Dados e de normas setoriais específicas, sem um marco único que estabeleça direitos claros como o de contestar decisões automatizadas em áreas sensíveis. A tendência é que o tema volte com força total ao Congresso após o recesso de julho, especialmente pela proximidade do período eleitoral, que deve aumentar a pressão por regras claras sobre uso de inteligência artificial em campanhas políticas.

Fontes consultadas:

  • https://sindpd.org.br/2026/07/13/nova-frente-parlamentar-debate-ia-no-congresso/
  • https://boainformacao.com.br/2026/05/camara-dos-deputados-planeja-votar-projeto-de-regulacao-da-inteligencia-artificial/
  • https://www.congressoemfoco.com.br/artigo/116794/o-brasil-escolhe-como-regular-a-ia-e-define-limites-ao-poder
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