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Cisco aponta avanço de agentes de IA na operação de redes corporativas

Redação Bilgates Notícias
Redação Bilgates Notícias 25 de setembro de 2026
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6 Min de leitura
Rack de servidores em um data center, com cabos de rede e componentes de hardware visíveis.
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Os agentes de inteligência artificial começam a deixar a fase de testes e a assumir funções operacionais em redes corporativas. Um estudo divulgado pela Cisco Newsroom em 23 de setembro de 2026 indica que 51% das empresas entrevistadas já utilizam sistemas agentivos em produção. Diferentemente de ferramentas que apenas analisam dados ou fazem recomendações, esses sistemas podem executar ações dentro da operação de tecnologia.

Contents
IA já participa da operação de redesVolume de alertas pressiona equipes técnicasAutonomia depende de confiança e governançaO que muda para as empresas

A pesquisa foi desenvolvida pela Cisco em parceria com a Omdia e ouviu 1.000 líderes de tecnologia e operações de rede. Participaram organizações com pelo menos 500 funcionários localizadas na América do Norte, na Europa Ocidental e na região da Ásia-Pacífico. Como o levantamento foi divulgado pela própria Cisco, os resultados ajudam a dimensionar uma tendência observada pela empresa, mas não representam necessariamente todo o mercado global.

IA já participa da operação de redes

De acordo com o estudo, 75% das organizações consultadas já implantaram algum tipo de inteligência artificial em suas operações de rede. O percentual inclui aplicações que apoiam o monitoramento e a análise do ambiente. Entre elas, estão os sistemas agentivos, que avançam ao permitir que a tecnologia participe diretamente da execução de determinadas tarefas operacionais.

A expectativa de expansão também é elevada. O levantamento aponta que 84% dos entrevistados esperam alcançar um modelo operacional liderado por IA nos 12 meses seguintes à realização da pesquisa. O dado sugere que as empresas estão avaliando a tecnologia não apenas como uma camada adicional de suporte, mas como parte da forma como redes, infraestrutura e operações serão administradas.

Esse movimento é associado pela Cisco ao conceito de AgenticOps, expressão usada para descrever operações de tecnologia conduzidas com apoio de agentes capazes de interpretar situações e agir sobre elas. Na prática, a mudança indicada pela pesquisa está na passagem de sistemas voltados principalmente à observação e à recomendação para ferramentas que também podem realizar ações no ambiente corporativo.

Volume de alertas pressiona equipes técnicas

Um dos fatores que impulsionam a adoção é o volume de informações gerado diariamente pelas redes empresariais. Segundo o estudo, as organizações analisadas lidam, em média, com cerca de 4.100 alertas e eventos de monitoramento por dia. Pouco mais da metade desse conjunto está relacionada à própria rede.

A Cisco estima que seriam necessários aproximadamente 100 especialistas para tratar manualmente todo esse volume diário. A estimativa ajuda a explicar por que empresas buscam sistemas capazes de identificar ocorrências, organizar prioridades e executar respostas com maior velocidade. Para equipes de infraestrutura, segurança e suporte técnico, a automação pode reduzir a pressão causada pela quantidade de eventos que precisam ser avaliados.

O crescimento da inteligência artificial dentro das empresas também amplia a complexidade da infraestrutura. À medida que mais sistemas utilizam IA, as redes precisam sustentar novas demandas operacionais e lidar com um ambiente no qual a disponibilidade, o desempenho e a segurança dos serviços digitais se tornam ainda mais importantes.

Autonomia depende de confiança e governança

Apesar do avanço, a pesquisa mostra que a autonomia dos agentes não é aceita sem restrições. O levantamento aponta que 80% dos entrevistados se sentem confortáveis em conceder aos sistemas um papel alto ou totalmente autônomo. Ao mesmo tempo, 69% exigem explicações detalhadas sobre as ações executadas pela tecnologia.

Essa combinação revela um ponto central da adoção de agentes de IA em redes corporativas: as empresas querem automação, mas também precisam entender como e por que uma decisão foi tomada. A capacidade de rastrear ações, avaliar resultados e manter mecanismos de supervisão é especialmente relevante em ambientes nos quais uma intervenção incorreta pode afetar serviços, usuários e processos internos.

Outro dado reforça a busca por integração. Para 86% dos participantes, uma plataforma integrada é o caminho mais eficaz para ampliar o uso da tecnologia. A preferência indica que as organizações tendem a valorizar uma visão consolidada da operação, em vez de administrar agentes isolados em diferentes ferramentas e áreas da infraestrutura.

O que muda para as empresas

Os resultados apresentados pela Cisco e pela Omdia apontam para uma transformação gradual no trabalho das equipes de tecnologia. A atuação humana não desaparece, mas passa a dividir espaço com sistemas capazes de acompanhar eventos em escala e executar ações operacionais. Nesse cenário, profissionais podem se concentrar na supervisão, na definição de políticas e na análise de situações que exigem julgamento especializado.

O estudo também mostra que a expansão da AgenticOps depende de mais do que desempenho técnico. Transparência, explicabilidade e controles de governança aparecem como condições para que as empresas ampliem a autonomia concedida aos agentes. A adoção, portanto, avança junto com a necessidade de estabelecer limites claros para as decisões automatizadas.

O relatório completo, intitulado The Impact of Agentic AI on Network Operations, está disponível em documento publicado pela Cisco e pela Omdia. Os dados indicam que os agentes já fazem parte da operação de uma parcela relevante das empresas pesquisadas, mas também deixam claro que a confiança será determinante para transformar experimentos de inteligência artificial em infraestrutura operacional permanente.

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