Investimentos recordes impulsionam corrida pela IA
As maiores empresas de tecnologia do mundo devem investir juntas cerca de US$ 700 bilhões em infraestrutura de inteligência artificial ao longo de 2026, segundo relatório da agência de classificação de risco Moody’s Ratings. O valor representa um salto expressivo em relação aos US$ 320 bilhões investidos em 2025 e é seis vezes maior que o volume registrado pelas chamadas hyperscalers, as grandes provedoras de computação em nuvem, em 2022.
Entre as quatro maiores companhias do setor, Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft, o aumento nos investimentos de capital para 2026 deve superar 60% em relação aos níveis de 2025, segundo dados citados por diferentes veículos de imprensa especializada. A Amazon lidera esse movimento com o plano mais agressivo entre as big techs, de aproximadamente US$ 200 bilhões, a maior parte destinada à expansão de sua divisão de nuvem, a AWS, incluindo novos data centers e o desenvolvimento de chips proprietários voltados especificamente para inteligência artificial.
Estratégias diferentes, mesmo objetivo
A Microsoft também elevou significativamente sua projeção de investimentos, com foco na expansão global de data centers, justificando o aporte pela chamada era da computação de agentes, um conceito que descreve sistemas de inteligência artificial capazes de executar tarefas de forma autônoma, sem necessidade constante de intervenção humana. Já a Alphabet, controladora do Google, foi a única entre as quatro gigantes cujas ações subiram após a divulgação de resultados trimestrais, beneficiada pelo crescimento mais rápido do Google Cloud, plataforma que vende serviços de computação e inteligência artificial para outras empresas.
A Meta, por sua vez, ampliou sua faixa de investimento para valores que, convertidos, podem ultrapassar R$ 700 bilhões, reposicionando por completo sua estratégia de negócios após o período em que priorizou fortemente o metaverso, entre 2021 e 2023. Segundo reportagens do período, o próprio CEO da companhia reconheceu que o ciclo de retorno da inteligência artificial generativa deve levar mais tempo do que os investidores inicialmente esperavam, o que gerou certo nervosismo no mercado financeiro após a divulgação do balanço trimestral da empresa.
Mercado acompanha com cautela
Esse volume recorde de investimentos já começa a gerar preocupação entre parte dos investidores globais, segundo a própria Moody’s. O receio principal está relacionado ao risco de excesso de capacidade instalada, combinado a um retorno financeiro mais fraco do que o esperado, especialmente diante da magnitude dos valores envolvidos. Ainda assim, a agência de classificação de risco avalia que a demanda por capacidade de inteligência artificial segue superando amplamente a oferta disponível atualmente no mercado global.
Para 2027, a projeção é de que o investimento em infraestrutura das hyperscalers possa alcançar US$ 870 bilhões, ainda que limitações na oferta de energia elétrica em diferentes países possam restringir parte dessa expansão. Esse tipo de gargalo energético tem se tornado um tema recorrente nas discussões sobre os limites físicos do crescimento acelerado da infraestrutura de inteligência artificial ao redor do mundo.
Perspectivas para os próximos anos
Outro ponto de atenção apontado pela Moody’s é o descompasso crescente entre a visão das próprias empresas e a percepção dos investidores sobre o ritmo desses investimentos. Enquanto as provedoras de nuvem consideram que reduzir os aportes em inteligência artificial representaria uma ameaça existencial aos seus modelos de negócio, parte do mercado financeiro teme que o volume atual de gastos resulte em infraestrutura excedente e retornos menores do que o esperado nos próximos anos.
Esse cenário de investimentos bilionários também tem reflexos indiretos sobre o mercado financeiro global, com aumento nos spreads de títulos e queda nas medianas de preços das ações de empresas do setor de tecnologia. Para os próximos meses, o mercado deve continuar acompanhando de perto os resultados trimestrais das grandes provedoras de nuvem, na tentativa de identificar sinais mais claros sobre se esse ciclo recorde de investimentos em inteligência artificial vai efetivamente se traduzir em crescimento sustentável de receita para essas companhias.
Fontes:
https://timesbrasil.com.br/empresas-e-negocios/gigantes-de-tecnologia-devem-investir-us-700-bilhoes-em-ia-em-2026/
