Reformar sem entulho, sem pó de tijolo espalhado pela casa e sem semanas de obra parada já é realidade em boa parte dos projetos residenciais recentes. Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, observa que esse cenário se tornou possível graças à consolidação da construção a seco no Brasil, sistema que substitui tijolo e argamassa por placas de gesso acartonado fixadas em estrutura metálica. Nos Estados Unidos, no Canadá e no Reino Unido, esse método já responde por mais de 90% das vedações internas há décadas, e o país segue essa mesma direção depois de anos de resistência cultural ligada à tradição da alvenaria.
Ao longo deste conteúdo, veremos como o sistema funciona, quanto custa e por que ele mudou a forma de planejar reformas no país.
Por que o Brasil resistiu tanto tempo à construção a seco?
Durante décadas, o mercado brasileiro tratou o tijolo como sinônimo de solidez, associando qualquer sistema mais leve a fragilidade estrutural, mesmo sem evidência técnica que sustentasse essa crença de forma consistente. Essa resistência cultural começou a ceder quando o custo da mão de obra na construção civil subiu de forma mais acelerada que a inflação, tornando qualquer sistema capaz de reduzir tempo de execução um diferencial competitivo real para construtoras e reformadores.
Segundo relata Daugliesi Giacomasi Souza, laudos técnicos recentes ajudaram a derrubar de vez a ideia de que parede grossa significa necessariamente parede silenciosa, já que muitos tipos de tijolo usados em divisórias internas não atingem os índices de isolamento acústico exigidos pela norma brasileira de desempenho sem receber camadas adicionais de revestimento. Esse tipo de dado técnico tirou a discussão do terreno da opinião pessoal e a colocou no campo da engenharia mensurável.
Como funciona o sistema na prática?
O drywall utiliza perfis metálicos galvanizados como estrutura interna, revestidos por chapas de gesso acartonado parafusadas dos dois lados, formando uma parede pronta para receber acabamento em poucas horas de trabalho. Diferente da alvenaria tradicional, que depende de água, cimento e dias de cura da argamassa, o sistema é inteiramente mecânico, permitindo que instalações elétricas e hidráulicas sejam embutidas na própria estrutura antes do fechamento das placas, sem qualquer necessidade de rasgar paredes depois de prontas.

Na compreensão de Daugliesi Giacomasi Souza, essa característica resolve um dos maiores incômodos de reformas convencionais, já que reparos futuros em fiação ou tubulação passam a exigir apenas a abertura pontual de uma placa, e não a quebra de um trecho inteiro de parede. O preenchimento das paredes com lã de vidro ou lã de rocha completa o sistema, garantindo isolamento térmico e acústico superior ao de boa parte das paredes de alvenaria convencional utilizadas no país.
O que os números dizem sobre custo e prazo?
O metro quadrado de drywall instalado custa, em média, entre R$ 90 e R$ 150 no Brasil atualmente, considerando paredes ou forros simples sem soluções especiais de reforço estrutural. Esse valor já inclui material e mão de obra padrão, tornando a comparação com a alvenaria tradicional favorável na maioria dos projetos, principalmente quando se soma o tempo de obra economizado ao longo do processo.
Conforme ilustra Daugliesi Giacomasi Souza, a redução no prazo de execução chega a 70% em comparação ao método convencional, o que significa ocupar o ambiente reformado muito mais cedo e reduzir custos indiretos associados a uma obra prolongada, como aluguel temporário ou perda de produtividade em home offices. Projetos que utilizam o sistema desde a concepção original, e não apenas em reformas pontuais, aproveitam ainda mais essa vantagem de cronograma.
Onde o sistema faz mais diferença no dia a dia?
O crescimento do trabalho remoto aumentou consideravelmente a demanda por ambientes reservados dentro de casa, e o drywall se tornou solução natural para criar escritórios domésticos sem depender de reformas estruturais complexas. Closets, nichos embutidos e forros com iluminação integrada também se popularizaram por meio do sistema, aproveitando espaços antes subutilizados sem exigir reforço na estrutura original do imóvel.
Como pontua Daugliesi Giacomasi Souza, a flexibilidade para alterar o layout no futuro representa outro ponto relevante do sistema, já que remover ou reposicionar uma divisória em drywall costuma ser consideravelmente mais simples do que demolir uma parede de alvenaria já consolidada. Essa característica se torna especialmente útil para famílias que preveem mudanças na configuração dos ambientes ao longo dos próximos anos, sem querer se comprometer com soluções definitivas desde a primeira reforma.
Antes de contratar qualquer serviço de construção a seco, vale conferir se o profissional detalha no orçamento os perfis utilizados, o tipo de chapa aplicada e o preenchimento acústico previsto, detalhes que fazem diferença real no resultado final.
