Para Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, diretor de tecnologia, a eficiência energética em datacenters deixou de ser um item de sustentabilidade tratado separadamente da arquitetura técnica e passou a ser parte da própria decisão de como um sistema é projetado. Cada servidor adicional processando dados consome energia, gera calor e exige resfriamento, e esse custo cresce junto com a escala de qualquer operação digital.
Por muito tempo, energia foi tratada como problema da equipe de facilities, resolvido depois que a arquitetura de software já estava definida. Essa separação está mudando, à medida que o custo energético passa a pesar o suficiente para influenciar decisões que antes eram puramente técnicas, como onde processar um dado e quanto tempo mantê-lo ativo.
Por que energia virou parte da conta que mais pesa?
Em operações de grande escala, o custo de energia de um datacenter pode superar o custo do próprio hardware ao longo do tempo de uso do equipamento. Isso muda o cálculo de decisões que antes só olhavam para performance ou capacidade, sem considerar quanto aquela escolha custaria em consumo contínuo.
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira observa que esse peso crescente do custo energético está empurrando equipes de arquitetura a tratar eficiência como métrica tão relevante quanto latência ou disponibilidade, não mais como um relatório separado analisado só pela área de infraestrutura física.
O que muda quando resfriamento entra no desenho do sistema?
Historicamente, o resfriamento de um datacenter era resolvido depois: os servidores eram instalados, e o sistema de refrigeração era dimensionado para dar conta do calor gerado. A tendência atual é inverter essa ordem, projetando a disposição física dos servidores já pensando em como o calor vai se dissipar.
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira ressalta que essa mudança de sequência reduz significativamente o consumo de energia dedicado apenas a resfriar o ambiente, porque evita pontos de acúmulo de calor que exigiriam refrigeração mais intensa para compensar um desenho físico ineficiente.

Onde a arquitetura de software também pesa na conta de energia?
Eficiência energética não depende só de hardware e resfriamento. Além disso, código mal otimizado, que processa mais do que precisa ou mantém recursos ativos sem necessidade, consome energia de forma direta, multiplicada pela escala de quantas vezes aquele código roda por dia.
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira avalia que essa relação entre eficiência de código e consumo energético ainda é subestimada por muitos times de desenvolvimento, acostumados a otimizar para velocidade de resposta, mas raramente para quanto processamento aquela resposta realmente exige por trás.
O que já está sendo testado em operações de grande escala?
Iniciativas recentes incluem desligar automaticamente servidores ociosos em horários de baixa demanda, mover processamento não urgente para períodos de menor custo energético e usar refrigeração líquida em vez de ar, que consome significativamente menos energia para o mesmo volume de calor dissipado.
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira aponta que essas práticas ainda estão concentradas em operações de grande escala, mas tendem a se espalhar à medida que ferramentas de gestão energética ficam mais acessíveis para operações de porte médio, que hoje ainda dependem de decisões manuais e pouco sistemáticas sobre consumo.
Por que essa tendência tende a se acelerar?
O volume de processamento de dados no varejo digital só cresce, puxado por automação, inteligência artificial e operações em tempo real, e cada um desses avanços consome mais energia, não menos. Isso empurra eficiência energética de discussão ambiental para discussão de viabilidade financeira direta.
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira conclui que tratar eficiência energética como parte da arquitetura, e não como ajuste posterior, tende a deixar de ser diferencial e se tornar prática padrão, à medida que o custo de ignorar essa variável cresce junto com a escala de qualquer operação digital.
