Os agentes de inteligência artificial começam a deixar a fase de testes e a assumir funções operacionais em redes corporativas. Um estudo divulgado pela Cisco Newsroom em 23 de setembro de 2026 indica que 51% das empresas entrevistadas já utilizam sistemas agentivos em produção. Diferentemente de ferramentas que apenas analisam dados ou fazem recomendações, esses sistemas podem executar ações dentro da operação de tecnologia.
A pesquisa foi desenvolvida pela Cisco em parceria com a Omdia e ouviu 1.000 líderes de tecnologia e operações de rede. Participaram organizações com pelo menos 500 funcionários localizadas na América do Norte, na Europa Ocidental e na região da Ásia-Pacífico. Como o levantamento foi divulgado pela própria Cisco, os resultados ajudam a dimensionar uma tendência observada pela empresa, mas não representam necessariamente todo o mercado global.
IA já participa da operação de redes
De acordo com o estudo, 75% das organizações consultadas já implantaram algum tipo de inteligência artificial em suas operações de rede. O percentual inclui aplicações que apoiam o monitoramento e a análise do ambiente. Entre elas, estão os sistemas agentivos, que avançam ao permitir que a tecnologia participe diretamente da execução de determinadas tarefas operacionais.
A expectativa de expansão também é elevada. O levantamento aponta que 84% dos entrevistados esperam alcançar um modelo operacional liderado por IA nos 12 meses seguintes à realização da pesquisa. O dado sugere que as empresas estão avaliando a tecnologia não apenas como uma camada adicional de suporte, mas como parte da forma como redes, infraestrutura e operações serão administradas.
Esse movimento é associado pela Cisco ao conceito de AgenticOps, expressão usada para descrever operações de tecnologia conduzidas com apoio de agentes capazes de interpretar situações e agir sobre elas. Na prática, a mudança indicada pela pesquisa está na passagem de sistemas voltados principalmente à observação e à recomendação para ferramentas que também podem realizar ações no ambiente corporativo.
Volume de alertas pressiona equipes técnicas
Um dos fatores que impulsionam a adoção é o volume de informações gerado diariamente pelas redes empresariais. Segundo o estudo, as organizações analisadas lidam, em média, com cerca de 4.100 alertas e eventos de monitoramento por dia. Pouco mais da metade desse conjunto está relacionada à própria rede.
A Cisco estima que seriam necessários aproximadamente 100 especialistas para tratar manualmente todo esse volume diário. A estimativa ajuda a explicar por que empresas buscam sistemas capazes de identificar ocorrências, organizar prioridades e executar respostas com maior velocidade. Para equipes de infraestrutura, segurança e suporte técnico, a automação pode reduzir a pressão causada pela quantidade de eventos que precisam ser avaliados.
O crescimento da inteligência artificial dentro das empresas também amplia a complexidade da infraestrutura. À medida que mais sistemas utilizam IA, as redes precisam sustentar novas demandas operacionais e lidar com um ambiente no qual a disponibilidade, o desempenho e a segurança dos serviços digitais se tornam ainda mais importantes.
Autonomia depende de confiança e governança
Apesar do avanço, a pesquisa mostra que a autonomia dos agentes não é aceita sem restrições. O levantamento aponta que 80% dos entrevistados se sentem confortáveis em conceder aos sistemas um papel alto ou totalmente autônomo. Ao mesmo tempo, 69% exigem explicações detalhadas sobre as ações executadas pela tecnologia.
Essa combinação revela um ponto central da adoção de agentes de IA em redes corporativas: as empresas querem automação, mas também precisam entender como e por que uma decisão foi tomada. A capacidade de rastrear ações, avaliar resultados e manter mecanismos de supervisão é especialmente relevante em ambientes nos quais uma intervenção incorreta pode afetar serviços, usuários e processos internos.
Outro dado reforça a busca por integração. Para 86% dos participantes, uma plataforma integrada é o caminho mais eficaz para ampliar o uso da tecnologia. A preferência indica que as organizações tendem a valorizar uma visão consolidada da operação, em vez de administrar agentes isolados em diferentes ferramentas e áreas da infraestrutura.
O que muda para as empresas
Os resultados apresentados pela Cisco e pela Omdia apontam para uma transformação gradual no trabalho das equipes de tecnologia. A atuação humana não desaparece, mas passa a dividir espaço com sistemas capazes de acompanhar eventos em escala e executar ações operacionais. Nesse cenário, profissionais podem se concentrar na supervisão, na definição de políticas e na análise de situações que exigem julgamento especializado.
O estudo também mostra que a expansão da AgenticOps depende de mais do que desempenho técnico. Transparência, explicabilidade e controles de governança aparecem como condições para que as empresas ampliem a autonomia concedida aos agentes. A adoção, portanto, avança junto com a necessidade de estabelecer limites claros para as decisões automatizadas.
O relatório completo, intitulado The Impact of Agentic AI on Network Operations, está disponível em documento publicado pela Cisco e pela Omdia. Os dados indicam que os agentes já fazem parte da operação de uma parcela relevante das empresas pesquisadas, mas também deixam claro que a confiança será determinante para transformar experimentos de inteligência artificial em infraestrutura operacional permanente.
