A tensão entre a lógica empresarial e a lógica social é um dos debates mais recorrentes no terceiro setor brasileiro. De um lado, gestores que argumentam que organizações sociais precisam adotar as ferramentas de gestão do mundo empresarial para serem mais eficientes e sustentáveis. De outro, ativistas que temem que a empresarialização do social comprometa valores e prioridades que não podem ser reduzidos a métricas de desempenho.
Eloizo Gomes Afonso Duraes navegou essa tensão com uma naturalidade que sugere que o debate talvez seja menos dicotômico do que parece: gerindo a Fundação Gentil Afonso Duraes com disciplina empresarial, sem jamais perder de vista que estava lidando com pessoas, não com produtos.
O que a gestão empresarial trouxe de positivo?
A formação e a experiência de Eloizio Gomes Afonso Duraes como empresário contribuíram para a Fundação em dimensões concretas e verificáveis. A formalização precoce da entidade, em outubro de 2003, refletiu a compreensão de que organizações sem estrutura jurídica adequada são frágeis e dependentes demais da boa vontade de seus fundadores. A expansão gradual e responsável para outros estados demonstrou a aplicação de uma lógica de crescimento sustentável que qualquer empresário reconheceria.

A reformulação de 2019, que evoluiu a Fundação para Organização Social, foi conduzida com o planejamento e a execução de uma reestruturação corporativa de qualidade. Cada uma dessas decisões foi tomada com a seriedade de quem sabe que má gestão tem consequências reais para as pessoas que dependem dos serviços oferecidos.
O que o humanismo impediu que a gestão distorcesse
Ao mesmo tempo, Eloizo Gomes Afonso Duraes nunca permitiu que a lógica empresarial engolisse a substância humana da Fundação. O programa de coral e teatro, que não produz nenhum indicador de empregabilidade direta, nunca foi cortado em nome da eficiência. O transporte gratuito, que representa um custo operacional significativo, nunca foi eliminado para melhorar os números financeiros. A faixa etária atendida, de 7 a 14 anos, nunca foi expandida além da capacidade de oferecer atendimento de qualidade.
Essas decisões revelam um gestor que usa ferramentas empresariais sem se tornar escravo delas, que mede resultados sem reduzir pessoas a números e que mantém a visão humanista como bússola, mesmo quando as pressões financeiras apontariam em outra direção.
Um equilíbrio que o setor precisa aprender
O que Eloizio Gomes Afonso Duraes demonstrou ao longo de mais de duas décadas é que a dicotomia entre gestão empresarial e missão social é falsa quando a liderança tem clareza suficiente sobre seus valores. É possível ser rigoroso na gestão e generoso no cuidado. É possível medir resultados e reconhecer que os mais importantes são os menos mensuráveis. A Fundação Gentil Afonso Duraes é a prova viva de que esse equilíbrio não é apenas possível: é o que diferencia organizações que transformam vidas das que apenas existem.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
