Unicamp avalia como positivo ajustes feitos no vestibular 2021 por conta da pandemia

O diretor da Comvest, José Alves de Freitas Neto — Foto: Reprodução / EPTV 1 de 3
O diretor da Comvest, José Alves de Freitas Neto — Foto: Reprodução / EPTV

O diretor da Comvest, José Alves de Freitas Neto — Foto: Reprodução / EPTV

Com o encerramento da 2ª fase do vestibular 2021, nesta terça-feira (9), a Unicamp avaliou como positivo os ajustes realizados no processo seletivo em um contexto de pandemia do novo coronavírus. Da redução de obras literárias e números de questões passando pelos protocolos de distanciamento, a avaliação da comissão organizadora (Comvest) é que a universidade estadual cumpriu seu papel ao fazer uma prova classificada como “plural, com valorização de vários conhecimentos e que ajuda a promover o respeito entre as pessoas”.

Ao comentar os números finais da 2ª fase, José Alves de Freitas Neto, diretor da Comvest, enalteceu o baixo índice de abstenção, o menor em dez anos, e que ficou em 8,8% nos dois dias – dos 15.470 convocados, 14.113 compareceram e seguem na luta por uma das 3.237 vagas ofertadas em 69 cursos de graduação. Nenhum ocorrência relacionada a pandemia foi registrada nos dois dias.

“Diante de um cenário de incertezas, isso mostra que as mudanças de conteúdo e propostas foram adequadas, assim como a seriedade da organização da Comvest foi observada pelos candidatos”, disse Freitas Neto.

Assim como tem feito nos últimos anos, o vestibular da Unicamp se propõe a abordar o mundo contemporâneo e a buscar estudantes que saibam ler o mundo em que vivem e a refletir sobre ele. Nesse contexto, o diretor da Comvest defende que a prova cumpre um papel social.

“A universidade tem essa obrigação de estabelecer um diálogo com a sociedade, e a primeira porta que muitas pessoas veem esse diálogo é o vestibular. São 77 mil inscritos e multiplique isso por pessoas envolvidas, familiares, amigos. É um alcance grande para propor reflexões, indagações”, defende José Alves.

Diálogo com a sociedade

Ainda de acordo com o diretor da Comvest, a universidade e as discussões propostas no vestibular ganham papel ainda mais importante no cenário de negacionismo, em especial da sociedade brasileira.

“Os últimos anos temos sido bombardeados sobre a função da universidade, o papel da ciência e, paradoxalmente, nesse último ano, vimos a pesquisa científica enaltecida com um dos caminhos para ultrapassar esse momento difícil, complexo”, diz.

A abordagem de temas como a pandemia, não diretamente mas em questões multidisciplinares, além de assuntos contemporâneos, aproximam a prova da realidade dos estudantes e a da política de acessibilidade da universidade, mas também servem como registro histórico desse momento.

“A prova é um retrato desse momento, mas ela ficará nos arquivos e será ensinada nos outros anos. Nesse sentido, a prova também tem essa função para que o debate aconteça em salas de aula do ano seguinte. Essa é uma diretriz da universidade que se destaca pela produção científica e não se cala diante do cenário político atual”, completa José Alves.

O último dia da 2ª fase foi realizado nesta terça-feira e o exame foi composto por questões dissertativas de matemática, ciências da natureza, ciências humanas e avaliação de conhecimentos específicos, de acordo com a área do curso escolhido.

provas comuns a todos os candidatos:

  • matemática, com 6 questões;
  • interdisciplinar de ciências humanas, com 2 questões;
  • interdisciplinar de ciências da natureza, com 2 questões;

provas de conhecimentos específicos, conforme a opção de curso:

  • área de ciências biológicas/saúde: 6 de biologia e 6 de química;
  • área de ciências exatas/tecnológicas: 6 de física e 6 de química;
  • área de ciências humanas/artes: 6 de geografia e 6 de história, incluindo filosofia e sociologia;

O primeiro dia de aplicação de provas da segunda fase da Unicamp, na segunda-feira (8), teve abstenção de 8,3%, a menor em 10 anos segundo a comissão organizadora (Comvest). Dos 15.470 candidatos convocados, 14.185 compareceram para as provas de redação, português e questões interdisciplinares em inglês.

Logística e cuidados contra Covid-19

A avaliação ocorreu em 17 cidades de São Paulo e mais cinco capitais de outros estados. A relação de endereços será publicada no site institucional e a Unicamp usou 715 salas nesta etapa, para evitar riscos de transmissão da Covid-19, número que representa alta de 138% no comparativo com as 300 estruturas usadas na edição anterior do processo seletivo.

Na avaliação da Comvest, o esquema de distanciamento, com divisão da primeira fase em dois dias e aumento das salas, pode ser considerado em futuros vestibulares mesmo com o fim do cenário da pandemia.

“O modelo de distanciamento favorece uma outra questão, o da segurança da prova, já que permite que tenha um maior controle de aplicação. No vestibular tem certas tradições e costumes que quase não se alteram, mas a hipótese de fazer a prova em dois dias não pode ser descartada”, avaliou José Alves.

Confira as cidades que sediaram o vestibular na 2ª fase:

São Paulo

  • Bauru, Campinas, Guarulhos, Jundiaí, Limeira, Mogi Guaçu, Osasco, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santos, São Bernardo do Campo, São Carlos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Paulo e Sorocaba.

Outros estados

  • Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Curitiba (PR), Fortaleza (CE) e Salvador (BA).
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Trecho da prova aplicada pela Unicamp nesta segunda-feira (8), no primeiro dia da 2ª fase do vestibular 2021 — Foto: Reprodução/Comvest

Trecho da prova aplicada pela Unicamp nesta segunda-feira (8), no primeiro dia da 2ª fase do vestibular 2021 — Foto: Reprodução/Comvest

A Unicamp encerrou a 1ª fase do vestibular 2021 no dia 7 de janeiro com aumento de 66,6% na abstenção, no comparativo com o processo seletivo do ano anterior.

No primeiro dia foram avaliados 28,7 mil candidatos que disputam vagas em cursos das áreas de ciências exatas/tecnológicas e ciências humanas/artes, enquanto que no segundo dia as avaliações ocorreram para 38,1 mil que buscam oportunidades nas áreas de ciências biológicas e da saúde.

O total de inscritos foi de 77,6 mil, incluindo recorde de estudantes oriundos da rede pública.

Cursos mais disputados

Neste ano, os dez cursos mais procurados pelos candidatos são: medicina, arquitetura e urbanismo; ciências biológicas; comunicação social-midialogia; ciência da computação; engenharia da computação; farmácia; história; ciências econômicas e enfermagem.

O total de vagas nesta edição inclui as 639 oportunidades que estavam previstas inicialmente no edital Enem-Unicamp, que deixou de ser oferecido para ingresso no próximo ano por causa do “calendário incompatível” com o cronograma definido pelo Ministério da Educação (MEC).

Calendário Vestibular Unicamp 2021

  • 2ª fase: 8 e 9 de fevereiro
  • Provas de habilidades específicas (exceto música): 11 e 12 de fevereiro
  • Divulgação da primeira chamada: 10 de março
  • Comissão de averiguação virtual dos convocados cotas étnico-raciais da primeira chamada/Solicitação e divulgação do resultado de recurso dos convocados em primeira chamada de cotas étnico-raciais: 11 de março
  • Matrícula presencial da primeira chamada, nas unidades de ensino: 15 de março
  • Início das aulas: 15 de março
  • Confira calendário completo
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Provas do vestibular da Unicamp 2021 — Foto: Giuliano Tamura/EPTV

Provas do vestibular da Unicamp 2021 — Foto: Giuliano Tamura/EPTV