Unicamp 2022: comissão diz que manterá 'temas mais básicos', prevê lives literárias e espera data do Enem para organizar vagas


Comvest considera contexto educacional afetado pela pandemia para planejar exame do vestibular e fará transmissões para apoiar estudantes, após elevar exigência em lista de livros obrigatórios. Candidatos na primeira prova da 1ª fase do vestibular 2021 da Unicamp
Felipe Mateus / Unicamp
O Vestibular 2022 da Unicamp manterá abordagem focada em “temas mais básicos”, segundo a comissão organizadora (Comvest), em virtude dos reflexos da pandemia no contexto educacional. Em contrapartida, ao elevar o número de obras literárias obrigatórias de sete para dez, ela prevê uma série de lives para orientação e diz que aguarda o calendário do próximo Enem para definir se vai considerar ou não a modalidade que reserva vagas e usa notas dos candidatos no exame para fazer seleção.
Professor de história do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), José Alves de Freitas Neto continuará como diretor da Comvest durante o mandato do novo reitor, Antônio José de Almeida Meirelles, o Tom Zé. Ao G1, ele explica que o nível das provas será parecido com a edição anterior.
“No ano passado, fizemos ajustes pontuais e emergenciais que atenderam nossas expectativas, mas temos que entender os impactos das aprendizagens em um processo seletivo […] Temos que manter os pés no chão e termos a tranquilidade de dizer que é possível fazer uma boa prova com temas mais básicos”, explica.
De acordo com a Comvest, a 1ª fase será realizada em 21 de novembro, enquanto a 2ª está marcada para os dias 16 e 17 de janeiro. Além disso, a universidade estadual divulgou que o período de inscrições ficará disponível de 2 de agosto a 8 de setembro, por meio da página oficial.
Freitas Neto ressalta preocupação na forma de elaborar o vestibular frente às desigualdades sociais.
“Queremos que se reconheçam nas questões apresentadas como uma realidade que está à sua porta e que demandam o seu protagonismo, a valorização das ciências, a defesa dos direitos humanos e o efetivo exercício da cidadania.”
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Uma das entradas do campus da Unicamp em Campinas
Antoninho Perri / Unicamp
Lives literárias
A Unicamp definiu que dez livros são leituras obrigatória para o vestibular 2022, três a mais do que na edição anterior, embora a quantidade ainda represente diminuição de duas em relação ao total previsto antes da pandemia. No comparativo com o ano anterior, serão realizadas quatro mudanças:
Incluídas
“Carta de Achamento do Brasil” – Pero Vaz de Caminha;
“Niketche – uma História de Poligamia” – Paulina Chiziane;
“Tarde” – Olavo Bilac;
“Bons dias” – Machado de Assis;
Mantidas na lista
Sonetos escolhidos – Luís de Camões;
Sobrevivendo no inferno – Racionais MC’s;
Conto: “O seminário dos ratos” – Lygia Fagundes Telles (ficou de fora em 2021 após redução);
O marinheiro – Fernando Pessoa;
A falência – Júlia Lopes de Almeida;
O ateneu – Raul Pompeia;
Excluídas
Sermões, de Antonio Vieira
História do Cerco de Lisboa, de José Saramago (ficou fora em 2021 após redução);
A teus pés, de Ana Cristina César (ficou fora em 2021 após redução);
O Espelho, de Machado de Assis;
Cabra vadia – Nelson Rodrigues;
Quarto de despejo – Carolina Maria de Jesus;
O diretor da Comvest avalia que a exigência em literatura pode ser maior, pelo número de obras, porque a universidade avalia que as escolas se adaptaram ao momento da crise sanitária, e a comissão fará uma série de transmissões para apoiar os estudantes e tentar estreitar vínculo pelas redes sociais.
“No ano passado fizemos várias orientações sobre a redação. Neste ano ampliaremos para as obras literárias e orientações de estudos para cada uma das disciplinas”, explica.
As transmissões devem começar em agosto e ele indica ao menos uma live para cada obra literária.
“O princípio que norteia é que devemos estimular a leitura e a formação de um repertório cultural com diferentes gêneros de leitura, de diferentes períodos e temas. Se não houvesse uma lista, toda a literatura de língua portuguesa poderia ser exigida e isso não estimula a formação de leitores. A maior exigência está acompanhada de uma atuação da Comvest para atenuar as diferenças na formação.”
Vagas via Enem
A Unicamp, neste momento, trabalha com a perspectiva de contar com o ingresso de candidatos aos cursos de graduação por meio de notas no Enem. Por outro lado, caso haja divergência de calendários entre a universidade e o exame, a comissão organizadora sinaliza que pode repetir a medida do processo anterior. “Trabalhamos com a hipótese de tudo ficar centralizado no vestibular”, diz o diretor.
Metas
Freitas Neto está à frente da Comvest desde o período de mandato do ex-reitor Marcelo Knobel, entre abril de 2017 e abril deste ano. No período, houve a implementação de cotas no vestibular, a abertura da modalidade que usa notas dos candidatos do Enem para seleção; a criação do vestibular indígena, além da reserva de oportunidades para estudantes premiados em olimpíadas de conhecimentos.
Ele coloca três objetivos para este segundo período na comissão. “A consolidação das políticas de ação afirmativas implementadas nos últimos anos, a ampliação do diálogo com as escolas públicas e com todo o ensino médio, com a realização de eventos virtuais e presencias para estudantes e docentes; e a adequação das provas para uma geração impactada pela pandemia”, ressalta.
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