Unicamp 2021: aprovados têm notas de matemática mais baixas após 'impacto da pandemia'; veja diferença nos 10 mais concorridos


Diretor da Comvest diz que desempenhos refletem precariedade no ensino de matemática no país e as dificuldades dos estudantes na crise sanitária. Resultado deve mudar Vestibular 2022. VÍDEO – ID 9552894
Estudantes aprovados no Vestibular 2021 da Unicamp tiveram as notas de matemática mais baixas em pelo menos quatro edições do exame por causa do “impacto da pandemia”, segundo a comissão organizadora (Comvest). A universidade destaca que a redução de desempenho foi “generalizada” e um levantamento feito a pedido do G1 mostra as variações nos dez cursos mais concorridos.
“O impacto da pandemia na aprendizagem de matemática foi maior que em outras áreas […] O maior recado é para a sociedade brasileira como um todo, o nosso ensino de matemática ele ainda é bastante precário, e vem enfrentando dificuldade maiores que as outras disciplinas no contexto da pandemia”, avalia o diretor da Comvest, José Alves de Freitas Neto, ao indicar que ocorreram casos de disciplinas em que foram registradas notas mais elevadas, no comparativo com a edição 2020.
As carreiras mais disputadas na edição e analisadas pela Comvest foram: medicina, arquitetura e urbanismo, ciências biológicas, comunicação social – midialogia, ciência da computação, engenharia de computação, farmácia, história, ciências econômicas integral e enfermagem.
As tabelas mostram os números de participantes e as médias nas disciplinas que integram o vestibular. Cada questão vale até 4 pontos e, com isso, a “nota bruta” do candidato varia de 0 a 24 na maioria das matérias, incluindo matemática, porque são seis questões aplicadas durante o exame.
Há, porém, duas exceções: em português, a “nota bruta” vai de 0 a 32 porque são oito questões na prova desde a edição 2020; enquanto em redação vai de 0 a 12 também desde aquele ano, após uma mudança na proposta da abordagem, embora o texto continue representando 20% do desempenho final do estudante. Cada prova da Unicamp é corrigida por pelo menos dois profissionais.
VEJA ABAIXO TABELAS DOS OUTROS NOVE CURSOS
O comparativo das notas considera dados desde o Vestibular 2018 da Unicamp porque esta é a primeira edição em que Freitas Neto já estava na direção da comissão organizadora.
A segunda fase do processo seletivo ocorreu em fevereiro deste ano e, apesar do contexto de crise sanitária, terminou com o menor índice de abstenção em dez anos: foram 14,1 mil participantes entre os 15,4 mil convocados, na disputa por 3,2 mil vagas em 69 cursos de graduação.
Influências no resultado
Para o diretor da Comvest, três fatores resultaram na queda das notas dos estudantes. O primeiro é a pandemia, que teve desdobramentos nos métodos de ensino e na possibilidade de aprendizagem.
“Nas conversas que temos tido com professores e estudantes, eles relatam uma dificuldade maior nesse contexto da pandemia, de ensino remoto, com as questões relacionadas ao ensino de matemática. Dentre outras coisas porque às vezes o estudante não tira a dúvida, numa experiência em sala de aula o professor detecta quando o aluno está entendendo ou não, tem uma interação muito mais próxima dos estudantes. Pode intervir na hora em que o estudante manifesta a sua dúvida ou dificuldade na proposição de um determinado problema, ao passo que no ensino remoto isso tem ficado para trás. Muitas vezes, os estudantes sequer estão tendo as aulas no mesmo momento, estão assistindo aulas gravadas e não têm a quem recorrer. Isso acarretou sobretudo alunos que vêm de escolas com menor acesso e onde há um universo mais precário de condição material”, ressalta.
Candidatos na primeira prova da 1ª fase do vestibular 2021 da Unicamp
Felipe Mateus / Unicamp
O segundo item mencionado pelo diretor da Comvest refere-se ao maior número de candidatos participantes na segunda fase. No Vestibular 2021, a Unicamp deixou de aplicar a modalidade de seleção que usa as notas dos candidatos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), após divergência de calendários em meio à crise sanitária. Com isso, as 639 vagas que ficariam neste grupo foram concentradas na modalidade tradicional do processo, o que pode ter gerado reflexos.
“Isso fez com que um público maior tenha vindo para a 2ª fase e parte deste público não tenha se preparado ou não esteja familiarizado com as propostas de questões interdisciplinares” avalia ao ponderar que reduções de notas em outras disciplinas, de acordo com curso avaliado, são avaliadas como oscilações naturais. “Nunca é um processo homogêneo”, salienta Freitas Neto.
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A terceira influência no resultado do Vestibular 2021 é associada pela Comvest ao nível da prova aplicada. Para a comissão, o exame de matemática não teve nível mais exigente do que anos anteriores e, nesta análise, a universidade considera avaliações internas e percepções de educadores.
“A prova, do ponto de vista técnico, validação das questões e todos os critérios utilizados, inclusive nos comentários de professores de cursinhos, indicam que a prova foi mais fácil. O que nos surpreendeu é que talvez os estudantes tenham tido uma dificuldade ao longo de todo ano nas escolas e talvez tivéssemos que fazer uma adequação maior no sentido de simplificação, considerando que na segunda fase não tem múltipla escolha. Ele precisa construir o raciocínio matemático e a resolução do problema que lhe era apresentado”, destaca o diretor.
Com isso, a prova do Vestibular 2022 deve ter mudanças de conteúdo. “Serão feitas adequações para que a prova mantenha certa exigência e, ao mesmo tempo, esteja mais próxima ao que se espera do que foi efetivamente trabalhado nas escolas”, ressalta Freitas Neto.
Veja abaixo tabelas sobre outros nove cursos analisados:
Calendário
De acordo com a Comvest, a 1ª fase será realizada em 21 de novembro, enquanto a 2ª está marcada para os dias 16 e 17 de janeiro. Além disso, a universidade estadual divulgou que o período de inscrições ficará disponível de 2 de agosto a 8 de setembro, por meio da página oficial.
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