'Se fosse particular, teria que trabalhar 7 meses para pagar 1 mês de faculdade', diz candidato à medicina da USP


Klayson Luiz Bernardo, de 20 anos, cursou ensino médio em escola municipal e fez cursinho on-line para disputar o vestibular neste domingo (10). Em Ribeirão Preto, SP, Klayson Luiz Bernardo, de 20 anos, disputa uma vaga no curso de medicina da USP
Pedro Martins/G1
Aos 20 anos, Klayson Luiz Bernardo divide o tempo entre o trabalho em uma pizzaria em Bebedouro (SP) e as aulas on-line do cursinho. Em 2019, o jovem concluiu o ensino médio em uma escola municipal. O sonho de cursar a faculdade de medicina, no entanto, parecia distante.
“Com 17 anos, eu descobri que eu podia prestar medicina. Eu não sabia disso. Na escola nunca ninguém me falou. Para mim, era só particular, não sabia que a USP era de graça. Não tenho condições de pagar R$ 7 mil de mensalidade. Teria que trabalhar sete meses pra pagar um mês de faculdade”, diz.
Neste domingo (10), Klayson faz a prova da Fuvest em Ribeirão Preto (SP), com o objetivo de estudar medicina no campus de São Paulo. É a maior concorrência do vestibular, com 154,6 candidatos por vaga.
“Quero fazer em São Paulo pela cidade. Gosto muito. Minha tia mora lá e toda vez que eu vou lá não dá nem vontade de voltar. Inicialmente, eu ficaria um tempo com ela, até conseguir moradia, mas teria que [morar] ser república.”
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Klayson Luiz Bernardo adaptou o quarto para se dedicar aos estudos e conquistar uma vaga na medicina da USP
Arquivo pessoal
Por causa da pandemia da Covid-19, milhares de alunos tiveram que se adaptar às aulas à distância, mas Klayson diz que estava habituado à modalidade porque já fazia cursinhos on-line.
“Eu ia estudar on-line de qualquer maneira, então a pandemia não afetou tão diretamente. Sempre fiz on-line, já estava acostumado. Por nunca ter feito o presencial, eu me dou muito bem com o on-line. Tem facilidade. Fico bastante tempo no quarto estudando. Passa o tempo e nem vejo.”
Parte do material didático que ele tem é do filho da patroa da mãe, que já tinha feito cursinho.
Para aumentar a concentração, Klayson transformou o quarto em uma espécie de quartel general do vestibular. Além de lembretes de fórmulas colados pela parede, ele pendurou o brasão da escola de medicina e pintou até o endereço da faculdade.
A expectativa para ser aprovado é grande, mas o jovem acha que tudo tem o tempo certo.
“Este ano passei juntando dinheiro, para poder me manter só estudando em 2021. Infelizmente, eu sinto que não estou preparado. Vou prestar para adquirir experiência de prova, que é muito importante. Eu estou com 20 anos, já não tem mais aquela pressão de quando eu comecei.”
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