Pesquisadores afirmam que reabrir escolas sem diminuir contágio por Covid leva a uma aceleração na pandemia

Volta às aulas presenciais nas escolas: na foto, alunas se cumprimentam com toque nos pés. — Foto: ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO 1 de 1
Volta às aulas presenciais nas escolas: na foto, alunas se cumprimentam com toque nos pés. — Foto: ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Volta às aulas presenciais nas escolas: na foto, alunas se cumprimentam com toque nos pés. — Foto: ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Um artigo publicado nesta quarta-feira (10) na revista científica The Lancet afirma que reabrir escolas sem diminuir contágio por Covid leva a uma aceleração na pandemia.

O texto é assinado por 12 especialistas, entre médicos, epidemiologistas, bioestatísticos e psicólogos ligados às universidades de Londres, Southampton, Oxford, entre outras, e leva em consideração a situação vivida no Reino Unido. Eles citam pesquisas científicas e referências dos estudos usados para embasar as opiniões.

O artigo afirma que, embora as escolas sejam espaços essenciais para a aprendizagem, saúde mental e o desenvolvimento social, “não foi feito o suficiente para torná-las mais seguras para alunos e funcionários.”

No Brasil, uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (10) aponta que quase 6 em cada 10 cidades ainda não desenvolveram protocolos de biossegurança para a reabertura das escolas municipais. Elas concentram 48% dos alunos da rede pública, em sua maioria, da educação infantil aos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano). A maioria planeja retornar o ano letivo por meio do ensino remoto.

No artigo, os pesquisadores afirma que, sem medidas adicionais para diminuir o contágio, haverá aumento da transmissão do vírus. Isso poderá levar a variantes mais contagiosas, mais bloqueios, mais escolas fechadas e risco de evasão escolar.

Eles reforçam que, mesmo em situações em que as escolas do Reino Unido foram reabertas em momentos de alta na transmissão, poucos pais enviavam as crianças às salas de aula.

“Mesmo quando as escolas estiveram totalmente abertas durante alta na transmissão, 22% das crianças não compareciam às aulas. Em algumas áreas, atendimento atingia 61% [dos alunos].”

Nesta quinta-feira (11), frente ao aumento da transmissão de coronavírus, o governo de São Paulo anunciou a suspensão das aulas presenciais nas escolas estaduais e afirmou que vai manter as unidades abertas apenas para merenda dos alunos e retirada de chips, a partir de 15 de março. O governo também antecipou o recesso escolar de abril e outubro para o período de 15 a 28 de março. As prefeituras têm autonomia para aderir, e as redes privadas podem manter o ensino presencial para 35% dos alunos.

Nesta sexta-feira (12), a Prefeitura de São Paulo anunciou a suspensão das aulas presenciais na rede municipal, estadual e particular a partir de 17 de março até 1° de abril.

Medidas para diminuir o contágio

Os pesquisadores apresentam um painel com medidas para diminuir o contágio comunitário e, assim, tornar possível que a reabertura das escolas sejam seguras.

Confira abaixo:

Distanciamento físico

  • Sistema de cores, como o do semáforo, indicando risco
  • Use a aprendizagem remota ou combinada para reduzir a transmissão

No transporte:

  • Manter os mesmos grupos de alunos transportados
  • Horários de início e término escalonados, para diminuir o fluxo
  • Evitar ‘misturar’ os grupos, por exemplo, nos portões da escola
  • Abrir janelas e usar máscaras no transporte

Nas salas de aula:

  • Manter grupos pequenos
  • Reduzir contato com outros grupos
  • Contratar professores extras para reduzir o tamanho das turmas
  • Usar grandes espaços (por exemplo, pátio)
  • Todo o grupo deverá ficar em quarentena, se for preciso

Proteções para alunos e funcionários

Higiene de mãos e superfícies:

  • Fornecer estações de lavagem e desinfetantes para as mãos
  • Lavar as mãos regularmente e em pontos-chave (por exemplo, depois de usar o banheiro)

Vacinação:

  • Priorizar pessoas com maior exposição e por grupos etários
  • Priorizar funcionários da escola reduz o fechamento das escolas
  • Testar sem esquecer que eles não são 100% seguros
  • O teste complementa outras medidas, em vez de substituí-las

Ventilação e coberturas faciais

Ventilação:

  • Abra janelas e portas
  • Ensine ao ar livre (ou em grandes salas)
  • Use monitores de CO2 para avaliar a qualidade do ar
  • Instale filtro de ar particulado de alta eficiência em purificadores de ar
  • Fazer a educação física ao ar livre
  • Suspender aulas de alto risco (por exemplo, canto, metais ou instrumentos de sopro), exceto remotamente

Coberturas faciais:

  • Incentive crianças de 5 anos ou mais a usar uma máscaras
  • Ensinar o ajuste e uso correto da máscara
  • Remover máscaras apenas quando estiver ao ar livre ou for comer

Apoio a crianças e famílias

Suporte a aprendizagem combinada e remota:

  • Permitir aprendizagem remota opcional
  • Apoiar a aprendizagem remota com tecnologias, financiamento, práticas e treinamento de habilidades
  • Proporcionar entrega ou coleta segura de merenda escolar gratuita
  • Garantir a proteção de crianças em risco
  • Abordar os danos da interrupção educacional

VÍDEOS: Saiba mais sobre Educação

200 vídeos

VÍDEO: Entenda o que é o ensino híbrido

Volta às aulas: é possível controlar o distanciamento entre crianças pequenas?Volta às aulas: quais os protocolos para o uso de máscaras nas escolas?