Pesquisa aponta que testes rápidos em massa reduzem casos de Covid na reabertura de universidades dos EUA

Estudante fornece saliva para um teste experimental de Covid-19 para pessoas assintomáticas — Foto: Irene Yi/UC Berkeley via AP
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Estudante fornece saliva para um teste experimental de Covid-19 para pessoas assintomáticas — Foto: Irene Yi/UC Berkeley via AP

Estudante fornece saliva para um teste experimental de Covid-19 para pessoas assintomáticas — Foto: Irene Yi/UC Berkeley via AP

Em agosto e setembro de 2020, diversas universidades nos Estados Unidos voltaram às aulas presenciais, reabrindo os campus aos estudantes, professores e funcionários. Em ao menos sete delas, houve o registro de 4,5 mil novos casos de Covid nas primeiras semanas após a reabertura.

Pesquisadores se debruçaram sobre dados de 85 universidades americanas para descobrir quais ações são mais efetivas no controle da transmissão. Além do uso de máscaras, distanciamento social e higienização das mãos, eles concluíram que testes rápidos em massa devem ser aplicados para identificar quem está com Covid (mesmo assintomático), para isolar e rastrear contatos. A pesquisa foi publicada nessa quarta-feira (17) pela Springer Nature.

“Em nossos modelos matemáticos de análise, levamos em consideração a taxa de casos positivos na comunidade externa, uma vez que as instituições têm interação significativa com a sociedade. Os testes fornecem um meio de compreender o nível de infecção dentro das instituições e de isolar os casos detectados. Uma vez que a Covid-19 pode ser transmitida de forma assintomática, o teste periódico é importante”, afirma Ujjal Kumar Mukherjee, primeiro autor do estudo, em entrevista ao G1.

“Descobrimos que testar cerca de 20% da população diariamente é benéfico para isolar indivíduos infectados. No entanto, esse número depende do estado atual da infecção [onde a universidade está inserida], a taxa de contato dentro e fora das organizações, o nível de uso de máscara e as medidas de distanciamento social”, avalia Mukherjee, da Universidade de Illinois.

Segundo os autores, há três medidas principais que podem trazer mais segurança à reabertura das salas de aula:

  1. Medidas preventivas: os autores classificam como “indispensáveis” medidas como uso de máscara, distanciamento social e redução das taxas de contato entre os indivíduos para frear a transmissão assintomática;
  2. Testes em massa: é preciso testar rotineiramente alunos, professores e funcionários. Além disso, é possível estabelecer testes mais frequentes para a população de maior risco
  3. Resultados rápidos: a rapidez dos resultado é divulgado é mais importante que a sensibilidade do teste, segundo os autores. Assim, é possível isolar quem estiver infectado. Para eles, as instituições que querem reabrir devem investir em testes rápidos, econômicos, e fáceis de administras em grandes volumes.

“Não fazer o teste acarreta em risco de disseminação assintomática, uma vez que indivíduos infectados e sem sintomas podem não ser detectados e isolados. O uso da máscara é necessário, apesar dos testes, uma vez que nenhuma medida pode ser suficiente. Muitas das medidas são necessárias simultaneamente”, afirma Mukherjee.

Máscara jogada no chão de Washington, capital dos EUA. — Foto: Kevin Lamarque/Reuters
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Máscara jogada no chão de Washington, capital dos EUA. — Foto: Kevin Lamarque/Reuters

Máscara jogada no chão de Washington, capital dos EUA. — Foto: Kevin Lamarque/Reuters

Resultados podem ser aplicados em escolas?

Ujjal Kumar Mukherjee, líder do estudo, afirma que as transmissões nas universidades dos EUA têm dinâmicas particulares, devido à circulação de pessoas nas salas de aula e nos dormitórios.

“São grandes organizações com uma população relativamente grande em comparação com outras, e geralmente implicam em uma alta taxa de contato em classes e dormitórios”, afirma ao G1.

Para Mukherjee, as escolas apresentam uma dinâmica diferente. “Geralmente, as escolas são muito menores e têm uma população menor [que as universidades]. Além disso, as medidas de distanciamento social são mais fáceis de implementar nas escolas. Portanto, os resultados precisam ser personalizados para essas instituições”, esclarece.

“O importante é a vigilância do estágio da infecção em qualquer instituição por meio de testes aleatórios com frequência regular e compreensão da dinâmica das infecções”, afirma.

Universidade testa 10 mil por semana

A pesquisa dos autores é embasada no programa “Shield”, da Universidade de Illinois. Lá, são feitos 10 mil testes de alunos, professores e funcionários todos os dias, o que representa 0,2 testes por pessoa por semana.

O método escolhido é a análise da saliva. De acordo com a universidade, este teste custa entre US$ 20 e US$ 30, bem abaixo dos custos de amostras de muco nasal, acima de US$ 100. Os resultados dos testes da saliva saem em 24 horas, mais rápidos que os demais, que saem em 2 a 3 dias.

“Atrasar os resultados dos testes reduz a eficácia da testagem. De preferência, os resultados dos testes devem estar disponíveis em 6 a 8 horas, ou mais rápido, o que é viável dadas as opções de teste atuais disponíveis. O teste ajuda a identificar e reduzir novas infecções e, portanto, os testes devem ser rápidos. Caso contrário, o isolamento de indivíduos infectados é retardado e permitem uma maior propagação da doença”, afirma Mukherjee ao G1.

Universidade de Illinois nas cidades gêmeas de Urbana-Champaign, nos EUA. — Foto: Dayne Topkin/Unsplash
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Universidade de Illinois nas cidades gêmeas de Urbana-Champaign, nos EUA. — Foto: Dayne Topkin/Unsplash

Universidade de Illinois nas cidades gêmeas de Urbana-Champaign, nos EUA. — Foto: Dayne Topkin/Unsplash

Os autores também cruzaram dados de outras 85 universidades. Na Universidade de Illinois, nas cidades gêmeas de Urbana-Champaign, os alunos faziam dois testes por semana após a reabertura, em agosto de 2020. Professores e funcionários faziam uma vez por semana. Com o passar do tempo, e o aumento dos casos na comunidade acadêmica, o número de testes aumentou: alunos passaram a fazer três vezes por semana e os professores, duas vezes.

“Mostramos que a revelação rápida dos resultados dos testes, juntamente com medidas para isolar os indivíduos positivos detectados, desempenha um papel central na concepção de estratégias de reabertura”, afirmam. “A incapacidade de fazer isso (especialmente quando o atraso aumenta além de um dia) torna o teste amplamente ineficaz”, concluem os autores.

Os autores citam casos de instituições que reabriram e, depois, tiveram casos de Covid. Entre elas, está a a escola Cherokee County, na Geórgia, EUA, onde 250 funcionários e alunos foram colocados em quarentena após a reabertura em agosto de 2020. Eles também citam a Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, nos EUA, que cancelou as aulas presenciais após detectar 130 casos confirmados de Covid na primeira semana após a reabertura.

Abaixo, veja a lista de universidades e o registro de casos de Covid após a reabertura das instituições:

Casos de Covid em universidades dos EUA

Universidade do Alabama, em Birmingham 972
Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill 835
University Central da Flórida 727
Universidade Auburn, no Alabama 557
Universidade Texas A&M 500
Universidade de Notre Dame 473
Universidade de Illinois, em Urbana-Champaign 448

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