Pai leva banquinho para esperar filho terminar 2° dia de prova do Enem em Teresina


Esta é a primeira vez que João Vitor, de 16 anos, faz a prova do Enem. O pai acredita que o filho irá escolher um curso da área de exatas, mas ressalta que a decisão será, exclusivamente, do adolescente. Francisco Ramos vai ficar à espera do filho neste domingo (24)
Andrê Nascimento /G1
Para incentivar o filho no segundo dia do Ensino Nacional do Ensino Médio (Enem), o engenheiro civil Francisco Ramos decidiu levar um ‘banquinho’ para esperar João Vitor, de 16 anos, terminar a prova no Instituto Federal do Piauí (IFPI), em Teresina. Esta é a primeira vez que o adolescente irá participar da maratona como forma de treino para os próximos vestibulares que realizar.
“Ele só tem 16 anos, mas está fazendo o Enem hoje para quando for encarar uma prova de verdade, encarar com mais tranquilidade. O nervosismo faz o candidato colocar tudo a perder”, disse o engenheiro.
Francisco lembrou que seus pais tomaram a mesma decisão quando prestou o vestibular na Bahia, em 1983. Eles o esperavam na porta do local de prova para apoiá-lo e, por isso, ele quis dar o mesmo amparo para o filho.
Estudar foi um desafio em 2020 com a pandemia da Covid-19, segundo Francisco. João Vitor, que está no 1° ano do ensino médio, teve aulas somente pela internet.
Banquinho levado pelo engenheiro para esperar o adolescente
Andrê Nascimento /G1
“Na minha opinião, a aula deve ser presencial. Você precisa conversar diretamente com o professor, tirar as dúvidas. Infelizmente, ele não teve isso”, relatou o pai.
O engenheiro acredita que o filho irá escolher um curso da área de exatas, mas ressalta que a decisão deve ser, exclusivamente, dele.
“Tenho a minha profissão, a mãe dele é professora, mas a gente não fala qual carreira ele deve escolher. Essa é uma decisão do meu filho, ele deve escolher”, pontuou.
Preparação em casa
Em 2020, por conta das medidas de isolamento social que mantiveram as escolas fechadas para evitar a disseminação do coronavírus, os pais puderam acompanhar a preparação dos estudantes em casa. Segundo as mães Maria Antônia e Gorete Soares, a ausência dos professores e dos colegas baixou a moral dos filhos.
Segundo Gorete, o rendimento do filho Luís Neto cresceu quando ele retornou para as aulas presenciais. O rapaz, que mora em Teresina para estudar, voltou para a casa dos pais em Floriano durante a pandemia, onde se preparou pela internet, até o retorno às salas de aula.
“Quando começaram as aulas presenciais, fez muita diferença, ele se estimulou para estudar. Eu acho que nada substitui o contato com os colegas, com os professores”, disse Gorete.
Já o filho de Maria Antônia, o Aureliano, de 18 anos, é estudante de escola pública e só pôde contar com um celular para se preparar para o Enem. A escola chegou a oferecer a aula presencial, mas a mãe preferiu manter o filho em casa, por medo do coronavírus.
“Ele não queria mais fazer a prova, mas eu convenci que ele fizesse, para ter experiência, e prometi que no ano que vem, matricular ele num curso, para que ele se preparasse direitinho”, contou Maria Antônia.
VÍDEOS: saiba tudo sobre o Enem 2020