Fuvest 2021: professores elegem português como disciplina mais difícil da prova

Fiscal aplica prova a estudantes que participam da primeira fase do vestibular da Fuvest 2021 neste domingo (10), na capital paulista. — Foto: Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo 1 de 3
Fiscal aplica prova a estudantes que participam da primeira fase do vestibular da Fuvest 2021 neste domingo (10), na capital paulista. — Foto: Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo

Fiscal aplica prova a estudantes que participam da primeira fase do vestibular da Fuvest 2021 neste domingo (10), na capital paulista. — Foto: Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo

Professores de cursinhos pré-vestibulares de São Paulo avaliaram neste domingo (10) que a primeira fase da Fuvest foi tradicional, conteudista e trabalhosa. Para os docentes, o exame manteve o grau de dificuldade dos últimos anos, mesmo com as dificuldades dos estudantes de participarem de aulas por causa da pandemia da Covid-19 no país.

“Foi uma prova de excelente nível, mas que exigiu que o vestibulando realmente estivesse preparado, com domínio de um vocabulário difícil e domínio dos conceitos principais de cada disciplina”, disse a professora do Objetivo, Vera Lucia da Costa Antunes.

Os estudantes relatam ao G1 que a prova deste ano abordou questões envolvendo jogos e aplicativos de celular como TikTok, na prova Inglês, e o jogo Among Us, na prova de Química. Eles também afirmam que a pandemia prejudicou a preparação para o exame.

Estudantes participam da1ª fase do vestibular da Fuvest neste domingo(10) em sala da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, na Cidade Universitária. — Foto: Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo 2 de 3
Estudantes participam da1ª fase do vestibular da Fuvest neste domingo(10) em sala da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, na Cidade Universitária. — Foto: Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo

Estudantes participam da1ª fase do vestibular da Fuvest neste domingo(10) em sala da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, na Cidade Universitária. — Foto: Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo

Na avaliação da professora, foi uma prova trabalhosa porque as questões não tinham respostas rápidas, cada alternativa tinha que ser lida com muito cuidado e atenção.

Para o professor Daniel Cecílio, diretor do Curso Pré-Vestibular Oficina do Estudante, surpreendeu o exame não ter abordado a pandemia de Covid-19, como a Unicamp na última quarta-feira (6). Mas, no geral, foi uma prova sem grandes surpresas e sem questões polêmicas: “Em linhas gerais, a Fuvest foi Fuvest”, disse Cecílio.

Diferente dos alunos, que elegeram as questões de Física e Química como as mais difíceis, para os professores as questões de português foram as de maior dificuldade.

A prova deste ano abordou uma questão em Química envolvendo o jogo Among Us — Foto: Reprodução/ Fuvest 3 de 3
A prova deste ano abordou uma questão em Química envolvendo o jogo Among Us — Foto: Reprodução/ Fuvest

A prova deste ano abordou uma questão em Química envolvendo o jogo Among Us — Foto: Reprodução/ Fuvest

A prova exigiu conhecimentos de gramática normativa e vocabulário de grande dificuldade. Das nove obras literárias de leitura obrigatórias para a prova, seis caíram na primeira fase. Para os professores, a leitura dos livros foi imprescindível e não bastava ter lido apenas resumos ou rascunhos dos livros.

“Prova difícil e bastante técnica. Não dava pra responder no esquema leitura e resposta, todas elas exigiam uma reflexão aprofundada do texto que estava sendo lido”, disse o professor Sérgio Henrique, do Objetivo.

A prova trouxe algumas atualidades como um texto do aplicativo TikTok na prova de inglês, e uma sobre o jogo Among Us, na prova de Química. A prova de geografia abordou o terremoto na Bahia em setembro de 2020. A prova trouxe ainda uma questão sobre a gripe espanhola, de 1918, mas não se relacionou com a pandemia atual.

Candidatos entrevistados pelo G1 elegem as questões de química, física e matemática como as mais difíceis do concurso. Eles relataram dificuldades em resolver as questões e acreditam que o contexto da pandemia dificultou na preparação para o vestibular.

Vestibular Fuvest 2021: candidatos elegem física a matéria mais difícil

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Veja a análise dos professores por disciplina:

Português

Para os professores, a prova de português apresentou o maior nível de dificuldade da Fuvest, segundo o professor Sérgio Henrique, tiveram questões que exigiam bastante técnica dos vestibulandos. “Todas exigiam reflexão, não dava para responder apenas com base na leitura”.

O professor aponta também que era necessário que o aluno tivesse um conhecimento mais aprofundado de literatura e linguagem. “Na prova de Literatura, é cada vez mais necessário que o aluno realmente leia o livro da lista. Ver resumo e ouvir comentários não basta para ter uma compreensão total do livro”.

Neste ano, o vestibular determinou 9 livros como leitura obrigatória:

  • Poemas Escolhidos, de Gregório de Matos;
  • Quincas Borba, de Machado de Assis;
  • Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade;
  • Angústia, de Graciliano Ramos;
  • A Relíquia, de Eça de Queirós;
  • Mayombe, de Pepetela;
  • Campo Geral, de Guimarães Rosa;
  • Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles;
  • Nove Noites, de Bernardo Carvalho.

No entanto, nem todos apareceram nas questões. “Tivemos o ‘Angústia’, do Graciliano Ramos, o ‘Romanceiro da Inconfidência’, da Cecilia Meirelles, ‘Remissão’, do Drummond, um poema difícil, do ‘Claro Enigma’. Ficaram de fora textos do Gregório de Matos e Guimarães Rosa”, afirma Henrique.

Na prova de linguagem foi exigido um nível alto de gramática padrão. E neste ano, a Fuvest teve questões difíceis em relação a vocabulário: “É importante ressaltar que, embora a prova de gramática tenha sido técnica e exigente, a Fuvest cobra muito essa questão e é sempre tradicional em relação a esse nível de dificuldade”, completou o professor do Objetivo.

Para a professora Gabriela Toti, a matéria apontada pelos alunos como a mais difícil, tinha questões de “nível médio, dentro do esperado e bem tradicional. Com conceitos químicos, mas principalmente leitura e interpretação. Uma prova com poucos cálculos”.

Segundo o professor Thomas Haupt, a prova de física também apresentava dificuldade média, com questões clássicas, no entanto, algumas exigiam um pouco de concentração por exigir do aluno um conhecimento pleno da teoria de física e de sua aplicação. “Tivemos questões específicas de cada matéria, uma envolvendo ondas estacionárias, por exemplo, uma questão envolvendo a equação de energia de Einstein (e=Mc2)”.

Haupt afirma que não teve nenhuma questão polêmica, mas era necessário se atentar aos detalhes do enunciado. “Um aluno bem preparado terá boas expectativas de uma boa nota, apesar das questões serem específicas de temas da física, e não gerais, mas muito vistas em aula”.

Matemática

O professor Carlos Seno aponta que a prova de matemática foi bem tradicional, com questões adequadas para a primeira fase do vestibular. “Pela quantidade de questões, ficaram de fora temas como probabilidade, trigonometria e progressão aritmética e geométrica”.

Algumas questões também exploraram o cotidiano do aluno, como números, senhas e preços.

Segundo o professor Guilherme Francisco, a prova de biologia foi de nível médio, com questões fáceis.”Tiveram assuntos variados, biologia, genética, biotecnologia e botânica. Esse ano não teve nada polêmico e nenhum contexto sobre o coronavírus, diferente do que foi apresentado na prova da Unicamp”.

Segundo o professor Alexandre Ceistutis, a prova teve temas clássicos como o Renascimento cultural, extrativismo mineral e política colonial. Questões sobre a escravidão africana e indígena e alguns aspectos do totalitarismo.

“A prova estava com uma dificuldade média, a prova trouxe temas clássicos e amplamente trabalhados em história. Mas com aspectos de grande concentração de informação que levava o aluno a ter mais paciência na resolução”.

Outro tema citado na prova foi a Gripe Espanhola, porém, não teve nenhum comparativo com a pandemia da Covid-19.

A prova de geografia estava mais fácil em relação aos anos anteriores, segundo a professora Vera Lúcia da Costa Antunes, mas teve questões mais trabalhosas que exigiram muita leitura e atenção.

“O aluno que domina os conceitos e vocabulários da geografia teve mais facilidade com as questões. Prova criativa e bem feita, pedindo uma geografia conceitual, com assuntos importantes e bem atuais. Caíram questões sobre o terremoto na Bahia, União Europeia e Mercosul”, afirma Antunes.

A prova de inglês exigiu um nível de conhecimento de vocabulário avançado, mas manteve a mesma dificuldade em relação aos vestibulares anteriores, segundo o professor Aleksander Brunhara.

“Não tivemos nenhuma questão ambígua ou errada. Tivemos dois textos bem atuais, um falando sobre o TikTok e outro sobre as mídias sociais – analisando a efemeridade das mídias e a influência sobre as crianças”.

O professor destaca uma questão com base na letra da música “Maggie’s Farm” do cantor Bob Dylan, que apesar de não ser atual, possui um texto bem de acordo com o cotidiano. “Nessa questão foi necessário bastante interpretação de texto para relacionar com a atualidade”.

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