Com sonho de se tornar cientista, adolescente autista fará Enem pela 1ª vez, no ES

“Eu tenho isso na cabeça desde pequeno. Eu vou ser um grande cientista”. A frase, dita com muita segurança, é de Rogério Júnior de Aguiar Conceição, um adolescente autista que, aos 16 anos, se prepara para tentar pela primeira vez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste domingo (17).

A prova ainda não é para valer, já que Rogério ainda está cursando o Ensino Médio, mas ele a encara como um ensaio para um futuro próximo, no qual ele se vê de jaleco branco, segurando nas mãos o diploma de médico e cientista.

“Eu vivo pensando que vou passar. Eu vou com a cara e a coragem. Quero ter mais experiência para quando for tentar o Enem de verdade”, disse ele.

Rogério Júnior de Aguiar Conceição, de 16 anos, fará o Enem como teste pela primeira vez neste domingo (17) — Foto: Reprodução/TV Gazeta 1 de 2
Rogério Júnior de Aguiar Conceição, de 16 anos, fará o Enem como teste pela primeira vez neste domingo (17) — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Rogério Júnior de Aguiar Conceição, de 16 anos, fará o Enem como teste pela primeira vez neste domingo (17) — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Foi com esse mesmo empenho e dedicação que Rogério conquistou, no final de 2018, o primeiro lugar na modalidade de vagas destinadas a deficientes para o curso técnico em Biotecnologia do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), em Vila Velha, cidade onde mora.

O adolescente concluirá o curso no final de 2021 e já se prepara para alçar voos mais altos, já que pretende cursar a faculdade de Medicina ou de Ciências Biológicas. Para isso, ele conta com o apoio e o incentivo dos pais, Rosimary Aguiar Soares e Edilson Conceição, que sempre enxergaram no filho um grande potencial, independentemente do diagnóstico do autismo, que foi descoberto quando Rogério ainda era bem pequeno.

“A gente tem que mudar para lidar com autistas. Sabendo lidar com eles, eles se tornam grandes pessoas na vida. Eles progridem muito e eu tive muito apoio de médicos, de psicólogos, de professores”, conta Rosemary.

Rogério e a mãe, Rosemary. — Foto: Reprodução/TV Gazeta 2 de 2
Rogério e a mãe, Rosemary. — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Rogério e a mãe, Rosemary. — Foto: Reprodução/TV Gazeta

O autismo, chamado oficialmente de Transtorno do Espectro do Autismo (Tea), é uma condição que afeta a capacidade de comunicação social e o comportamento dos indivíduos. No caso de Rogério, assim como acontece normalmente, ele foi descoberto nos primeiros anos de vida.

“Ele era muito esperto, mas às vezes chorava muito, às vezes ficava muito triste, não gostava de barulhos, se escondia debaixo da cama, também não gostava que as pessoas o abraçassem muito”, lembra Rosemary.

Foi a partir da identificação dessas características que a mãe iniciou uma investigação com diferentes médicos, até chegar ao diagnóstico. Daí por diante, a família seguiu se adaptando, a fim de garantir a Rogério um ambiente favorável para o seu desenvolvimento. “A rotina dela é muito diferente. Tudo deve ser no tempo dele. Ele, por exemplo, seleciona muitos alimentos, não gosta de alterar a rotina”, explica a mãe.

Mas tais singularidades não impedem que Rogério trilhe um caminho semelhante ao de tantos outros adolescentes. Pelo contrário. O menino, que sempre frequentou escolas públicas, destaca-se por sua inteligência. A mãe conta que Rogério sempre gostou dos estudos e dos jogos virtuais. Foi através dos jogos, aliás, que ele aprendeu palavras em inglês.

Em função da pandemia, Rogério teve que se adaptar às aulas online do Ifes. Mas mesmo com a mudança, foi aprovado e, neste ano, vai cursar a última série do curso. E no que depender da mãe, o caminho do filho ainda será longo. A começar pelo novo desafio, que começa logo mais para ele e para outros 5,7 milhões de candidatos, que se inscreveram no Enem.

“Sou muito orgulhosa. Todas as mães de crianças autistas ou com qualquer outro diagnóstico devem lutar por seus filhos. Eu abri mão de tudo por ele, eu luto e enfrento qualquer coisa por ele. A melhor herança que vou deixar para meu filho será a educação”, diz.

Os horários do Enem são:

  • Abertura dos portões: antes, 12h; agora será às 11h30 (horário de Brasília)
  • Fechamento dos portões: 13h
  • Início das provas: 13h30
  • Término das provas 1º dia (17/1): 19h
  • Término das provas 2º dia (24/1): 18h30

Medidas de prevenção

Segundo Alexandre Lopes, presidente do Inep, as medidas de prevenção contra o coronavírus serão as mesmas para todos os lugares. Não haverá planejamento especial para os locais que estejam com aumento no número de casos, segundo o presidente do Inep.

Entre as medidas, estão:

  • Uso obrigatório de máscaras para candidatos e aplicadores;
  • Disponibilização de álcool em gel nos locais de prova e nas salas (a quantidade total só será conhecida após a aplicação do exame);
  • Recomendação de distanciamento social no deslocamento até as salas de provas
  • Identificação de candidatos do lado de fora das salas, para evitar aglomeração – haverá marcações no piso para ter distanciamento, caso haja fila
  • Contratação de um número maior de salas: na edição de 2019 foram 140 mil locais de aplicação; agora serão 200 mil
  • Salas de provas com cerca de 50% da capacidade máxima
  • Candidatos idosos, gestantes e lactantes ficarão em salas com 25% da capacidade máxima
  • Higienização das salas de aulas, antes e depois do exame
  • É recomendado que o candidato leve máscaras reservas para trocar, já que a prova tem duração máxima de 5h30, quando há redação. No dia em que não há redação, o período máximo para fazer o exame é de 5h.

Candidatos com Covid

As provas do Enem vão ocorrer pouco mais de duas semanas após as festas de fim de ano, quando houve aglomerações em todo o país.

Os sintomas de Covid-19 podem aparecer até 15 dias após o contato com o vírus, segundo especialistas. Isso significa que os candidatos poderão ter sintomas da doença próximo ao primeiro dia de provas.

O Inep prevê reaplicar a prova para quem tiver doenças infectocontagiosas, entre elas a Covid. Também entram na lista sarampo, rubéola, varicela e coqueluche, por exemplo.

Quem tiver diagnóstico positivo e laudo médico comprovando a situação de saúde uma semana antes das provas poderá entrar na página do participante, anexar os documentos, e pedir para refazer o exame em 23 e 24 de fevereiro. Caso os sintomas apareçam na véspera do exame, o indicado é ligar para o 0800-616161.

O que levar para o Enem

A informação divulgada pelo Inep afirma ser obrigatório levar os seguintes itens no dia da prova:

  • Caneta esferográfica de tinta preta e fabricada em material transparente;
  • Documento oficial (original) com foto: carteira de identidade, CNH, passaporte ou Carteira de Trabalho e Previdência Oficial (após 1997);
  • Máscara de proteção facial;

Itens recomendados:

  • Cartão de confirmação da inscrição;
  • Declaração de comparecimento impressa (se precisar comprovar presença). Ela pode ser baixada no site do Inep.
  • Máscara extras para a troca;
  • Álcool em gel;
  • Lanche, água e outras bebidas não alcoólicas;

Itens proibidos:

  • Borracha, corretivo, chave com alarme, artigos de papelaria, impressos e anotações, lápis, lapiseira, livros, manuais, régua e caneta de material não transparente;
  • Óculos escuros, boné, chapéu, viseira, gorros ou similares;
  • Dispositivos eletrônicos como celulares, tablets, calculadoras, gravadores, pen drive ou mp3;
  • Alarmes, chaves com alarmes ou qualquer outro componente eletrônico;
  • Fones de ouvido ou qualquer transmissor, gravador e/ou receptor de dados, imagens, vídeos e mensagens.
  • Protetor auricular;
  • Relógios de qualquer tipo.

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