Com Enem adiado no AM por causa da pandemia, estudantes se unem para doar medicamentos, comida e água em hospitais


Caos no sistema público de saúde levou estudantes a se mobilizarem em busca de doações. Enquanto candidatos ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 de todo o país enfrentam salas lotadas e calor para as provas desta edição, os alunos inscritos no Amazonas aguardam a realização do exame, adiado para 23 e 24 de fevereiro devido à alta de casos e mortes de coronavírus na região.
O tempo maior de preparo para a prova poderia ser preenchido com mais estudos, mas o caos no sistema público de saúde fez com que eles trocassem os livros e apostilas por mobilização. Candidatos ao Enem no Amazonas estão se voluntariando para arrecadar medicamentos, comida e até água, e levar aos hospitais.
Vitoria Silva, de 21 anos (no centro), está inscrita no Enem 2020 e participa de campanhas de doação de alimentos, medicamentos e água no Amazonas
Arquivo Pessoal
A mobilização começa pelas redes sociais. Por meio de publicações com hashtags como #SOSAmazonas e #NortePeloNorte, diversas pessoas publicam o que precisam e em qual hospital ou unidade de saúde é necessário fazer a entrega.
“Quando ocorreu tudo isso e o Enem precisou ser adiado, a gente parou e pensou: ‘cara, vamos juntar todo mundo, dinheiro, uma galera e arranjar doações'”, conta Lucas Gadelha, de 25 anos, que busca uma vaga em medicina.
Mobilização nas redes sociais busca doações para unidades de saúde do Amazonas
Reprodução/Twitter
“A ideia era ajudar com besteira, pouquinha coisa, para o paciente que está lá fora, o acompanhante lá fora. Entretanto, o que acabamos encontrando foi um grave problema, onde falta EPI [equipamento de proteção individual], oxigênio, não só para o acompanhante como para o médico e paciente.”
“A partir do momento que a gente viu que o governo não ia dar conta, a gente precisou agir, ir para as ruas. ‘Você que é grupo de risco, fica em casa, não vai, mas trabalha nas redes sociais. Você que pode, tem transporte, vamos lá, vamos entregar'”, conta Gadelha. “E hoje basicamente mais de 500 a 600 pessoas estão participando em todos os grupos”, afirma.
Lucas Gadelha, de 25 anos, está inscrito no Enem e fará a prova no Amazonas
Arquivo Pessoal
Outra voluntária é Vitoria Silva, 21 anos, que busca uma vaga em publicidade e propaganda. Mas, devido à alta de casos no Amazonas, ela diz que não pretende fazer o Enem 2020, mesmo com a prova adiada. Vitoria e amigos se dividem no rastreamento de locais que precisam de doação, arrecadação de dinheiro e itens, e a entrega dos produtos.
“A casa da minha tia Ilda virou central de coleta. Tem de tudo: desde calabresa para uma refeição até agulha [de seringa] e kit de intubação”, conta. “As entregas são feitas através do transporte solidário ou então amigos meus que vem aqui e a gente ajuda na gasolina.”
Vitoria Silva, 21 anos, candidata ao Enem 2020, faz doações em hospitais em meio ao caos no sistema público de saúde por causa da pandemia.
Arquivo Pessoal
A dedicação ao voluntariado exige mais organização para que os candidatos não deixem de estudar até a data da prova.
“Atrapalha um pouco, porque eu estudo em média de 10 a 11h por dia e a gente ser voluntário ou você ocupa um turno do seu dia, ou vai ocupar o dia todo por conta das demandas que são muito altas”, afirma o candidato.
“Fazendo tudo muito certinho e regrado com cronograma, dá para seguir, mas atrapalha. Como eu estudo há 3 anos, me dou o luxo de ajudar um pouco, mas sem esquecer da parte dos estudos”, diz Gadelha.
Mobilização nas redes sociais busca doações para unidades de saúde do Amazonas
Reprodução/Twitter
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