Candidato do AC que faz estágio e trabalha 10h por dia teve que alugar casa na cidade para conseguir estudar e fazer Enem

Wilian Lorram Freitas de Oliveira, de apenas 20 anos, faz estágio no curso de técnico de enfermagem, trabalha como mecânico e conta que estudava de meia noite às 3h — Foto: Alcinete Gadelha/G1 1 de 4
Wilian Lorram Freitas de Oliveira, de apenas 20 anos, faz estágio no curso de técnico de enfermagem, trabalha como mecânico e conta que estudava de meia noite às 3h — Foto: Alcinete Gadelha/G1

Wilian Lorram Freitas de Oliveira, de apenas 20 anos, faz estágio no curso de técnico de enfermagem, trabalha como mecânico e conta que estudava de meia noite às 3h — Foto: Alcinete Gadelha/G1

As horas de trabalho, o estágio no curso de técnico de enfermagem, e o esforço de ter que pagar o aluguel de um pequeno apartamento na cidade, não foram empecilhos para que o jovem Wilian Lorram Freitas de Oliveira, de 20 anos, realizasse o sonho de prestar o Exame do Ensino Médio (Enem), em Rio Branco, para tentar passar no curso de medicina.

Ele disse que morava com os pais na zona rural de Rio Branco e, para conseguir ter mais tempo e se dedicar aos estudos, teve que se aventurar e ir morar sozinho na cidade. Oliveira faz curso técnico de enfermagem, trabalha como mecânico, em média 10 horas por dia, e está na fase de estágio no curso.

O tempo disponível que tinha para estudar para o Enem contando com o tempo gasto para chegar em casa, era de meia noite às 3h da madrugada. Ele morava no Mutum e há dois meses se mudou para a cidade para ter mais tempo e melhorar as condições de estudo. Atualmente, ele está morando na Vila Betel.

“Comecei a estudar assim que começaram a falar sobre o Enem. Trabalho das 7h às 21h e morava na zona rural com meus pais, então, tive que optar por sair da minha casa para conseguir tempo e estudar. Saía do trabalho por volta das 21 horas, quando conseguia sair às 20h, estudava de meia noite às 3h. Como faço o curso de técnico de enfermagem, faltava um dia na semana o trabalho para ir ao estágio”, disse.

Oliveira contou que as dificuldades vão além da falta de dinheiro e o sono.

“No começo, era um pouco difícil, né? Não ter dinheiro, ficar sem sair, sem ver a namorada, mas na vida a gente tem que batalhar para conseguir o que quer, né? Estou estudando para conseguir passar para medicina ou enfermagem, porque eu amo a área da saúde eu estou fazendo técnico em enfermagem, eu amo muito cuidar das pessoas.”

‘A pandemia atrapalhou, às vezes estudava no computador do colégio’

O jovem estudante disse ainda que a pandemia atrapalhou ainda mais o seu precioso tempo de estudo.

“Foi um pouco difícil, por causa da pandemia, porque quando dava tempo eu estudava no computador do colégio, então, não podia ir porque fechou o colégio. A pandemia abriu umas portas e fechou outras. A pessoa tem que se adaptar de como está o mundo agora e se cuidar, se virar do jeito que dá e, se Deus quiser, eu vou conseguir vencer”, afirmou.

 Elvis Fonseca, de 19 anos, chegou cedo ao local de provas, em Rio Branco — Foto: Alcinete Gadelha/G1 2 de 4
Elvis Fonseca, de 19 anos, chegou cedo ao local de provas, em Rio Branco — Foto: Alcinete Gadelha/G1

Elvis Fonseca, de 19 anos, chegou cedo ao local de provas, em Rio Branco — Foto: Alcinete Gadelha/G1

3 horas antes das provas

Nem o tempo chuvoso que amanheceu na capital acreana, na manhã deste domingo (24), espantou quem está ansioso para fazer as provas do 2º dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Bem jovens, mas com um sonho em comum, dois candidatos preferiram se antecipar e chegar cedo no Centro Educacional Uninorte, um dos locais de provas em Rio Branco.

Esse é o caso de Ketila da Silva Dias, de 17 anos e Elvis Fonseca, de 19.

Fonseca terminou o ensino médio em 2020 e disse que saiu de casa cedo para não perder o segundo dia de provas. Ele pegou chuva, mas falou que vai valer a pena no final. Ele contou também um pouco sobre os desafios de estudar durante a pandemia.

“Pensei que não ia me molhar, mas, quando vi, começou a chover no meio do caminho e vim mesmo assim. Quero fazer jornalismo para a área esportiva, é a primeira vez que estou tentando. A pandemia aumentou o desafio para muitos estudantes que não têm acesso à internet, eu tenho, mas muita gente se prejudicou”, falou.

O jovem garantiu ainda que está calmo e confiante. “Vou fazer a prova na calma e na tranquilidade e tentar passar de primeira. Mas, como é a primeira vez que tento, terminei o ensino médio agora, sei que não tenho a manha que os estudantes mais experientes têm, mas estou aqui.”

Com apenas 17 anos, Ketila, que ainda está concluindo o ensino médio, quer tentar passar para direito ou medicina e disse que fez questão de acordar cedo para não perder a prova.

“Cheguei cedo porque, como às vezes acontece de alguém se atrasar, sempre fico nesse nervosismo de chegar cedo para ver a abertura dos portões. A chuva também me deixou meio aflita, então, é melhor chegar cedo e garantir que vou entrar na sala bem antes da aplicação das provas”, falou.

A jovem contou que já fez o Enem três vezes, mas que esse ano é a primeira vez que vai fazer para valer, então, a pressão é maior.

“Esse é o meu primeiro Enem para valer, a expectativa está a mil, já fiz três vezes, mas esse ano é a vez e já quero entrar logo na universidade. Quero tentar para direito ou medicina. A pandemia atrapalhou um pouco meus estudos ano passado, porque na escola a gente tem uma orientação maior dos professores e em casa a gente acaba ficando meio perdida para estudar”, acrescentou

Com apenas 17 anos, Ketila, que ainda está concluindo o ensino médio, quer tentar passar para o curso de direito e disse que fez questão de acordar cedo para não perder a prova. — Foto: Alcinete Gadelha/G1 3 de 4
Com apenas 17 anos, Ketila, que ainda está concluindo o ensino médio, quer tentar passar para o curso de direito e disse que fez questão de acordar cedo para não perder a prova. — Foto: Alcinete Gadelha/G1

Com apenas 17 anos, Ketila, que ainda está concluindo o ensino médio, quer tentar passar para o curso de direito e disse que fez questão de acordar cedo para não perder a prova. — Foto: Alcinete Gadelha/G1

Neste domingo, os candidatos vão fazer a prova de ciências exatas do Enem 2020. Mais da metade dos 40,6 mil inscritos no Acre faltou no primeiro dia de prova, em uma edição com recorde de abstenção.

As provas deste domingo vão ser aplicadas em 1.677 salas de 148 escolas em 17 municípios acreanos, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

No Acre, portões abriram às 9h30 (horário local) — Foto: Alcinete Gadelha/G1 4 de 4
No Acre, portões abriram às 9h30 (horário local) — Foto: Alcinete Gadelha/G1

No Acre, portões abriram às 9h30 (horário local) — Foto: Alcinete Gadelha/G1

Os horários do Enem são:

  • Abertura dos portões: 9h30 (horário do Acre)
  • Fechamento dos portões: 11h (horário do Acre)
  • Início das provas: 11h30 (horário do Acre)
  • Término das provas 2º dia (24/1): 16h30 (horário do Acre).

Neste segundo domingo, os candidatos vão responder 90 questões das áreas de ciências da natureza e suas tecnologias – química, física e biologia – e de matemática e suas tecnologias. Os candidatos podem deixar a sala sem o caderno de questões a partir das 13h30 (horário do Acre).

Ao todo, 40.674 candidatos se inscreveram para fazer o Enem 2020 no Acre na modalidade de provas impressas. Desses, 19.721 marcaram presença e 20.953 faltaram.

Pela primeira vez, o Enem também conta com uma prova digital, que será aplicada nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro. No Acre, além dos mais de 40,6 mil candidatos inscritos para fazer as provas impressas, outros mais de 1,1 mil se inscreveram para fazer a versão digital.

Quem faltou no 1º dia de prova, pode fazer o exame no 2º dia?

Não. Apenas candidatos que compareceram no primeiro fim de semana, em 17 de janeiro, podem fazer as provas da segunda etapa.

Candidatos com Covid podem fazer a prova?

Não. O Inep prevê reaplicar a prova para quem tiver doenças infectocontagiosas, entre elas a Covid.

Quem tiver diagnóstico positivo e laudo médico comprovando a situação de saúde uma semana antes das provas poderá entrar na página do participante, anexar os documentos, e pedir para refazer o exame em 23 e 24 de fevereiro.

Caso os sintomas apareçam na véspera do exame, o indicado é ligar para o 0800-616161.

Frota de ônibus

Para o segundo dia de provas, a Superintendência Transportes e Trânsito de Rio Branco (RBTrans) confirmou que vai ser mantida a mesma frota do primeiro dia, com reforço de 9 carros a mais circulando para atender a demanda dos candidatos.

O reforço é de 25% na frota que estará nas ruas nos dias da prova. Ao todo, 47 coletivos vão fazer o transporte dos participantes na capital. Outros seis vão ficar de sobreaviso, caso haja necessidade.

“São 47 ônibus distribuídos nas linhas, com os carros reservas, com a fiscalização distribuídas em pontos estratégicos, para melhor atender os candidatos inscritos e os usuários usuais dos domingos”, disse o diretor de transportes RBTrans, Clendes Vilas Boas.

Medidas de segurança devido à pandemia

Segundo o Inep, as medidas de prevenção contra o coronavírus serão as mesmas para todos os lugares. Não haverá planejamento especial para os locais que estejam com aumento no número de casos. Entre as medidas, estão:

  • Uso obrigatório de máscaras para candidatos e aplicadores;
  • Disponibilização de álcool em gel nos locais de prova e nas salas (a quantidade total só será conhecida após a aplicação do exame);
  • Recomendação de distanciamento social no deslocamento até as salas de provas;
  • Identificação de candidatos do lado de fora das salas, para evitar aglomeração – haverá marcações no piso para ter distanciamento, caso haja fila;
  • Contratação de um número maior de salas: na edição de 2019 foram 140 mil locais de aplicação; agora serão 200 mil
  • Salas de provas com cerca de 50% da capacidade máxima;
  • Candidatos idosos, gestantes e lactantes ficarão em salas com 25% da capacidade máxima;
  • Higienização das salas de aulas, antes e depois do exame.

A retirada da máscara poderá ser feita, segundo o protocolo, para alimentação, ingestão de líquidos e troca do item. É recomendado que o candidato leve máscaras reservas para trocar. Candidatos ainda devem levar documento de identidade com foto e caneta de cor preta e corpo transparente.

Uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal do Acre (MPF-AC), Defensoria Pública da União (DPU) e o Ministério Público Estadual (MPE-AC) chegou a pedir o adiamento das provas no Acre.

Porém, a Justiça Federal indeferiu, no sábado (16), o pedido para que as provas fossem adiadas.

VÍDEOS: G1 em 1 Minuto

46 vídeos

G1 em 1 minuto-AC: duas regionais regridem de faixa e governador decreta toque de recolher

G1 em 1 minuto - AC: Família segue sem notícias de jovem que sumiu em rioG1 em 1 Minuto - AC: Produtor rural preso por receptar gado é solto após pagar fiança