Alunos contam que optaram pelo Enem digital por 'aventura' e novidade, mas temem computador 'perder tudo'

Enem digital: Por que mais de 90 mil candidatos escolheram este formato?

Enem digital: Por que mais de 90 mil candidatos escolheram este formato?

O primeiro Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) digital será aplicado nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro. Os candidatos puderam escolher, no momento da inscrição, se gostariam de participar do novo formato ou se prefeririam a versão tradicional (impressa).

Das 100 mil vagas para a edição digital, 96.086 foram efetivamente preenchidas. Por que estes estudantes optaram por ela? Ao G1, cinco candidatos relatam as motivações e os receios de participar do exame inédito. Eles dizem que queriam a “aventura” e a “novidade”, mas estão preocupados com eventuais problemas técnicos nos computadores.

‘Quero aventura!’

“Quando falei para os meus amigos que ia fazer o Enem digital, eles me chamaram de louco!”, conta Leonardo Camargo, de 22 anos, estudante de Carapicuíba (SP). “Mas é uma proposta nova, aí fiquei muito curioso e resolvi arriscar.”

A paulistana Geovanna Cardoso, de 19 anos, também se inscreveu para o novo formato. Ela já estuda direito em uma instituição de ensino particular, com bolsa parcial, mas quer uma vaga na rede pública.

“Tô nessa pela novidade mesmo, pela aventura”, afirma.

‘Pensei que fosse em casa’

Geovanna conta um segundo aspecto que a incentivou a escolher o Enem digital.

“Achei que fosse fazer a prova na minha casa, com fiscais me vigiando pela webcam. Por causa da pandemia, seria mais seguro e teria menos exposição [ao vírus]”, diz.

“Depois que descobri que preciso ir até uma faculdade escolhida pelo Inep para prestar o exame.” Mesmo assim, ela não desistiu da avaliação.

Assim como a jovem, outros candidatos também confessaram, nas redes sociais, que pensavam que o Enem digital seria em casa, no próprio computador.

‘Fico mais à vontade no computador’

Pedro Augusto Ferreira, de 17 anos, terminou o ensino médio em Cuiabá. Ele escolheu o Enem digital porque prefere a tela ao papel.

“Tenho déficit de atenção, e provas impressas me trazem mais dificuldade de concentração”, diz. “Fui criado mexendo no computador – fico mais aliviado e seguro.”

Um argumento semelhante levou Thomas Formiga, da mesma idade, a optar pelo formato virtual em São Paulo. “Eu estudo só com conteúdos da internet. Fico mais confortável; estou bem mais acostumado com telas”, conta.

‘Mais fácil de preencher o gabarito’

Não ter de usar caneta para preencher as respostas é outro chamariz do Enem digital. Apenas a redação será manuscrita.

“Quando eu fiz o Enem impresso, a possibilidade de errar o gabarito era muito grande. Agora, é só clicar e pronto, tá marcado. É uma vantagem grande”, diz Geovanna.

‘Dá medo de o computador quebrar’

Apesar de terem escolhido o Enem digital, os jovens entrevistados pelo G1 contam que estão inseguros com eventuais problemas técnicos no local de prova.

“Fico preocupada, porque o site do Enem vive dando problema. Não sei se vai funcionar, fico com medo de ser a primeira vez e de ter muitos erros”, diz Evelyn Brito, de 19 anos, do Rio de Janeiro.

Geovanna tem o mesmo receio. “Existe a desvantagem de pegar um computador que não esteja muito bom. Ou de ele desligar de repente e eu perder tudo”, diz.

Segundo o Inep, haverá máquinas extras e um técnico de informática em cada sala. Se um computador apresentar problema, o profissional avaliará a possibilidade de transferir o candidato para outro.

Caso o procedimento demore menos de 15 minutos, o estudante pode terminar a prova. Se levar mais tempo, ele terá de fazer a reaplicação do Enem em fevereiro.

Thomas se tranquilizou depois de descobrir esse e outros detalhes por um tutorial, em vídeo, enviado há alguns dias pelo Inep. “No começo, ninguém explicou como seria, não deram detalhes. Agora, fiquei mais confiante.”

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